Nº 009
Tortas de Viana
Doces de Ovos · Norte

Tortas de Viana

Também conhecido por: Torta de Viana · Torta Real

Pão de ló fino enrolado em volta de um creme de gemas, herança das clarissas de Viana.

Origem
Origem conventual, Viana do Castelo — tradicionalmente atribuída ao Convento de Santa Ana, fundado em 1505
Região
Viana do Castelo
Época
Todo o ano
Doçura
Riqueza
Dificuldade

As Tortas de Viana são rolos de pão de ló fino enrolados à volta de um creme dourado de gemas. Cada uma é polvilhada de açúcar e cortada em porções curtas, mostrando em corte uma espiral clara de massa e um coração amarelo e húmido de doce de ovos.

Na doçaria de Viana do Castelo, terra de bolos de São Martinho, meias-luas e bolos de amor, a torta ocupa um lugar à parte: era o doce das ocasiões grandes, leve na aparência e generoso no recheio. A massa cede em folha fina, o creme chega quase à beira, e o açúcar por cima dá aquele primeiro grão antes da doçura.

Apesar do nome no plural, fala-se sempre dela como a torta de Viana — uma receita antiga, hoje certificada e protegida como marca pela própria cidade.

Ingredientes
  • Gemas de ovo
  • Ovos inteiros
  • Açúcar
  • Farinha de trigo
  • Doce de ovos (creme de gemas) para rechear
  • Açúcar para polvilhar
Sabor & textura

Muito doce e marcadamente a ovo, mas surpreendentemente leve: a folha de massa é fofa e ligeiramente elástica, o recheio de gemas é sedoso e quase fundente, e o açúcar polvilhado por fora dá um contraste seco e ténue contra a humidade do interior.

Variações

A versão clássica leva apenas o creme de gemas e açúcar por cima, embora se encontre quem a aromatize com canela. Surgiram também tortas com recheios de compota ou geleia de fruta, mas a de doce de ovos continua a ser a referência e a forma certificada.

Onde provar

Procure-a nas pastelarias e confeitarias de Viana do Castelo que aderiram à certificação municipal, entre elas a Zé Natário, a Pastelaria Rosarinho, a Ameadella e a Dona Farinha. A verdadeira tem sempre a espiral de pão de ló fino com o creme de gemas a transbordar, e não um simples bolo de rolo.

Acompanha bem com

Pede um café curto ou uma bica para cortar a doçura; quem quiser ir mais minhoto acompanha-a com um cálice de vinho do Porto ou um moscatel.

História

A receita é tradicionalmente atribuída ao Convento de Santa Ana de Viana do Castelo, fundado em 1505. Conta-se que as primeiras freiras, clarissas vindas do mosteiro de Vila do Conde, já eram afamadas doceiras e trouxeram consigo o saber dos ovos e do açúcar que então abundavam nos conventos. A torta era um doce de luxo, reservado a dias de festa, e por isso chegou a ser chamada Torta Real.

Como tantos doces conventuais do Minho, sobreviveu à extinção das ordens religiosas passando para as confeitarias e casas particulares da cidade. O processo de certificação, conduzido pela Câmara de Viana do Castelo, arrancou em 2020 e culminou em 2021: a Torta de Viana foi certificada como doce tradicional do concelho e registada como marca no INPI (registo n.º 667701), fixando a receita e protegendo a sua origem.

Fontes: publico.pt · radiogeice.com · diariodistrito.sapo.pt · evasoes.pt