Tortas de Guimarães
Também conhecido por: Tortas das Costinhas
A meia-lua folhada que as freiras de Santa Clara legaram a Guimarães.
- Origem
- Século XIX · Convento de Santa Clara de Guimarães
- Região
- Guimarães
- Época
- Todo o ano
Apesar do nome, as Tortas de Guimarães não têm a forma enrolada que se esperaria de uma torta: são antes pequenos folhados em feitio de meia-lua, com a casca dourada e crocante a esconder um recheio macio e perfumado. A massa, trabalhada à mão com banha dos rojões até estalar em bolhas, abre-se em camadas finíssimas que se desfazem na boca.
Lá dentro vive um recheio de ovos e amêndoa, aromatizado com canela e cidrão — e, em muitas versões vimaranenses, doce de chila a dar-lhe corpo e doçura. Depois de cozidas, mergulham-se num instante em calda de açúcar em ponto de espadana e polvilham-se com açúcar e canela.
Servem-se à temperatura ambiente, ao balcão ou em caixa de presente, e fazem parte do trio doce que define a confeitaria de Guimarães, ao lado das tortas de viana e dos toucinhos do céu.
- Farinha de trigo
- Banha dos rojões
- Sal
- Açúcar
- Ovos
- Amêndoa
- Canela
- Cidrão
- Doce de chila
A casca folhada é estaladiça e amanteigada, e cede a um recheio sedoso de gema e amêndoa, doce mas equilibrado pela canela e pelo perfume cítrico do cidrão.
O recheio varia entre casas: umas guardam-se pelo ovos-e-amêndoa do registo tradicional, outras juntam doce de chila para o tornar mais húmido. Não se devem confundir com as tortas de viana, suas vizinhas e parentes na mesma vitrina vimaranense.
Encontram-se nas pastelarias e confeitarias do centro histórico de Guimarães, com a Casa Costinhas a reclamar a linhagem mais antiga. Compram-se à unidade ou em caixa, como lembrança da cidade-berço.
Pedem um café cheio ou um chá, mas brilham acompanhadas por um vinho generoso, como um Porto tawny ou um moscatel.
A origem das Tortas de Guimarães atribui-se às freiras do Convento de Santa Clara, em Guimarães, onde a doçaria conventual floresceu ao longo de séculos. Já em 1892 o Abade de Tagilde registava a fama da confeitaria das clarissas, citando as tortas entre os doces que lhes valeram nome dentro e fora de Portugal.
A transição do convento para a cidade fez-se através da chamada Casa Costinhas: uma freira de Santa Clara acolheu duas sobrinhas órfãs e, com a implantação da República a impedi-las de viver no convento, instalou-as numa casa próxima. Como todas tinham o apelido Costa, ficaram conhecidas por «as Costinhas», e foi do seu sustento que as receitas conventuais passaram a vender-se à cidade. Hoje as Tortas de Guimarães estão inscritas no registo de Produtos Tradicionais Portugueses da DGADR.
Fontes: tradicional.dgadr.gov.pt · tradicional.dgadr.gov.pt · sapo.pt · visitguimaraes.travel · comerciocomhistoria.gov.pt