Nº 145 Tortas de Guimarães
Folhados · Norte

Tortas de Guimarães

Também conhecido por: Tortas das Costinhas

A meia-lua folhada que as freiras de Santa Clara legaram a Guimarães.

Origem
Século XIX · Convento de Santa Clara de Guimarães
Região
Guimarães
Época
Todo o ano
Doçura
Riqueza
Dificuldade

Apesar do nome, as Tortas de Guimarães não têm a forma enrolada que se esperaria de uma torta: são antes pequenos folhados em feitio de meia-lua, com a casca dourada e crocante a esconder um recheio macio e perfumado. A massa, trabalhada à mão com banha dos rojões até estalar em bolhas, abre-se em camadas finíssimas que se desfazem na boca.

Lá dentro vive um recheio de ovos e amêndoa, aromatizado com canela e cidrão — e, em muitas versões vimaranenses, doce de chila a dar-lhe corpo e doçura. Depois de cozidas, mergulham-se num instante em calda de açúcar em ponto de espadana e polvilham-se com açúcar e canela.

Servem-se à temperatura ambiente, ao balcão ou em caixa de presente, e fazem parte do trio doce que define a confeitaria de Guimarães, ao lado das tortas de viana e dos toucinhos do céu.

Ingredientes
  • Farinha de trigo
  • Banha dos rojões
  • Sal
  • Açúcar
  • Ovos
  • Amêndoa
  • Canela
  • Cidrão
  • Doce de chila
Sabor & textura

A casca folhada é estaladiça e amanteigada, e cede a um recheio sedoso de gema e amêndoa, doce mas equilibrado pela canela e pelo perfume cítrico do cidrão.

Variações

O recheio varia entre casas: umas guardam-se pelo ovos-e-amêndoa do registo tradicional, outras juntam doce de chila para o tornar mais húmido. Não se devem confundir com as tortas de viana, suas vizinhas e parentes na mesma vitrina vimaranense.

Onde provar

Encontram-se nas pastelarias e confeitarias do centro histórico de Guimarães, com a Casa Costinhas a reclamar a linhagem mais antiga. Compram-se à unidade ou em caixa, como lembrança da cidade-berço.

Acompanha bem com

Pedem um café cheio ou um chá, mas brilham acompanhadas por um vinho generoso, como um Porto tawny ou um moscatel.

História

A origem das Tortas de Guimarães atribui-se às freiras do Convento de Santa Clara, em Guimarães, onde a doçaria conventual floresceu ao longo de séculos. Já em 1892 o Abade de Tagilde registava a fama da confeitaria das clarissas, citando as tortas entre os doces que lhes valeram nome dentro e fora de Portugal.

A transição do convento para a cidade fez-se através da chamada Casa Costinhas: uma freira de Santa Clara acolheu duas sobrinhas órfãs e, com a implantação da República a impedi-las de viver no convento, instalou-as numa casa próxima. Como todas tinham o apelido Costa, ficaram conhecidas por «as Costinhas», e foi do seu sustento que as receitas conventuais passaram a vender-se à cidade. Hoje as Tortas de Guimarães estão inscritas no registo de Produtos Tradicionais Portugueses da DGADR.

Fontes: tradicional.dgadr.gov.pt · tradicional.dgadr.gov.pt · sapo.pt · visitguimaraes.travel · comerciocomhistoria.gov.pt