Rabanadas
Também conhecido por: Fatias douradas · Fatias de parida · Fatias paridas
Pão dormido que renasce em ouro, ovo e canela na noite da consoada.
- Origem
- Doce pobre de origem antiga, popularizado em Portugal como guloseima de Natal
- Região
- De Norte a Sul
- Época
- Natal
As rabanadas são fatias grossas de pão de véspera, embebidas em leite ou em vinho, passadas por ovo batido e fritas até ficarem douradas. Saem da frigideira a estalar de quentes e mergulham logo num açúcar de canela ou numa calda de açúcar, mel ou vinho do Porto.
É um doce humilde na origem — nasce do gesto de não deitar fora o pão duro — mas glorioso no resultado. Por fora ganham uma crosta caramelizada e estaladiça; por dentro mantêm-se húmidas, quase a derreter. Em quase todas as casas portuguesas, são a sobremesa que não pode faltar na mesa do Natal.
- Pão de véspera (cacete ou pão-de-leite)
- Leite (ou vinho tinto / vinho do Porto)
- Ovos
- Açúcar
- Canela em pau e em pó
- Casca de limão
- Óleo ou banha para fritar
- Mel (para a calda)
O contraste é tudo: a crosta estaladiça de açúcar e canela dá lugar a um interior macio, encharcado e quase cremoso. O leite ou o vinho perfumam a miga, o ovo dá-lhe corpo, e a canela traz aquele aroma morno e festivo. Doces sem serem enjoativas, são reconfortantes na medida certa.
A grande divisão é entre rabanadas «de leite» e «de vinho»: umas embebem-se em leite quente aromatizado com canela e limão, outras em vinho tinto ou vinho do Porto, mais robustas. Depois há as que se polvilham apenas com açúcar e canela e as que se regam com calda de açúcar ou mel. No Minho fazem-se ricas e encharcadas em calda; há ainda versões assadas no forno, mais leves, para quem foge da fritura.
São, antes de tudo, um doce de casa — as melhores rabanadas continuam a sair das frigideiras das avós na quadra do Natal. Fora de casa, encontram-se em pastelarias e restaurantes de cozinha tradicional sobretudo de dezembro a janeiro, e cada vez mais em casas de doçaria e tascas que as servem o ano inteiro. Procure as feitas na hora, ainda mornas e com a crosta a estalar.
Pedem um cálice de vinho do Porto tinto, um Moscatel ou um vinho generoso doce. Para quem prefere sem álcool, um café cheio corta bem a doçura, e há quem as acompanhe com uma malga de leite quente.
A ideia de fritar pão embebido é antiquíssima: já os romanos descreviam um prato semelhante, o aliter dulcia recolhido no receituário atribuído a Apício — fatias de pão molhadas em leite, fritas e regadas com mel. Na Idade Média o costume firmou-se um pouco por toda a Europa, e na Península Ibérica o doce fixou-se nas cozinhas de Portugal e Espanha.
Os nomes antigos contam a sua história. «Fatias de parida» eram as que se davam às mulheres acabadas de dar à luz, por serem nutritivas e fáceis de digerir — uma associação ao pós-parto que já aparece em fontes castelhanas do século XV, como um vilancete de Juan del Encina que pedia «mel e muitos ovos» para o preparar. Curiosamente, a palavra «rabanada» terá circulado sobretudo a norte do rio Mondego; a sul, o mesmo doce era conhecido por «fatia dourada» ou «fatia de parida». Com o tempo, ligou-se ao ciclo do Natal e da consoada, onde permanece como uma das sobremesas mais queridas de Portugal.
Fontes: pt.wikipedia.org · es.wikipedia.org · elmira.es · eatshistory.com