Nº 548 Queijadas Dona Amélia
Bolos & Pães Doces · Açores

Queijadas Dona Amélia

Também conhecido por: Donas Amélias · D. Amélias · Queijadas D. Amélia · Bolo das Índias · Indianos

O doce escuro e especiado que as senhoras de Angra ofereceram a uma rainha.

Origem
1901 · Angra do Heroísmo, Ilha Terceira (Açores)
Região
Angra do Heroísmo
Época
Todo o ano
Doçura
Riqueza
Dificuldade

As Queijadas Dona Amélia são pequenos bolinhos densos e escuros da Ilha Terceira, de cor castanha-acobreada que vem do mel de cana e das especiarias. Ao contrário do que o nome promete, não levam queijo: a designação "queijada" prende-se com a forma baixa e arredondada, assada em formas de papel canelado e polvilhada com açúcar em pó na boca do forno.

A migalha é húmida e compacta, cravejada de passas e pedacinhos de cidrão, com um aroma quente de canela e noz-moscada que enche a cozinha. Comem-se à temperatura ambiente, individuais e do tamanho de um pastel, e guardam-se bem — sabem ainda melhor passado um dia, quando as especiarias assentam.

Servem-se ao pequeno-almoço, ao lanche ou como lembrança de viagem, geralmente em caixas de seis, e são presença obrigatória em qualquer pastelaria ou mercearia da Terceira.

Ingredientes
  • Açúcar
  • Ovos
  • Mel de cana
  • Manteiga
  • Farinha de milho
  • Farinha de trigo
  • Canela
  • Noz-moscada
  • Passas
  • Cidrão
  • Raspa de limão
Sabor & textura

Doce e profundamente especiada, com o mel de cana a dar fundo escuro e quase melado, equilibrado pela acidez das passas e do cidrão. A textura é húmida e densa, mais próxima de um bolo especiado do que de uma queijada cremosa.

Variações

Encontram-se na forma individual de queijada, a mais comum, mas também como bolo grande para fatiar. As proporções de mel de cana, especiarias e frutos secos variam de pastelaria para pastelaria, e há quem reforce a canela ou junte um toque de aguardente.

Onde provar

Provam-se em qualquer café ou pastelaria da Terceira, sobretudo em Angra do Heroísmo; a pastelaria O Forno, no centro de Angra, é uma referência habitual. Vendem-se ainda em caixas de seis em mercearias açorianas e por encomenda.

Acompanha bem com

Pedem um café cheirinho ou uma chávena de chá dos Açores; ao fim do dia, casam bem com um cálice de licor de maracujá ou de vinho do Pico.

História

O nome nasceu em 1901, quando o Rei D. Carlos e a Rainha D. Amélia visitaram a Ilha Terceira. Em homenagem à soberana, as senhoras de Angra do Heroísmo ofereceram-lhe estes doces, que passaram a ostentar o seu nome. A receita, porém, é mais antiga: adapta o chamado "Bolo das Índias" (também dito "Indianos"), um bolo da época dos Descobrimentos feito com as especiarias que chegavam pelas rotas marítimas do Oriente.

Angra, porto de escala atlântico e cidade classificada Património Mundial pela UNESCO, era passagem natural dessas especiarias — daí a canela, a noz-moscada e os frutos secos que dão a estes bolinhos o seu carácter. Da forma de bolo grande à queijada individual, o doce manteve-se até hoje como um dos emblemas gulosos da Terceira.

Fontes: byacores.com · byacores.com · azoresgetaways.com · saltofportugal.com · viajecomigo.com