Queijadas de Vila Franca do Campo
Também conhecido por: Queijadas da Vila · Queijadas de Vila Franca
A relíquia conventual de São Miguel, nascida do leite coalhado e das gemas.
- Origem
- Século XVI · Convento de Santo André, Vila Franca do Campo
- Região
- Vila Franca do Campo
- Época
- Todo o ano
As queijadas de Vila Franca do Campo são pequenas tarteletes de queijo fresco e ovos, tão pequenas que cabem na palma da mão. A massa, fina e tenra, é beliscada à mão em paredes onduladas que abraçam um recheio cremoso de leite coalhado, gemas e açúcar, dourado no forno e generosamente polvilhado de açúcar em pó.
À vista, são caixinhas plissadas de borda alta e topo claro, com o centro ligeiramente abaulado. Ao morder, a casca cede com facilidade e o recheio surge denso e sedoso, a meio caminho entre o pudim e o requeijão adocicado.
Comem-se à temperatura ambiente, ao pequeno-almoço ou ao lanche, normalmente em pares e sempre acompanhadas de café ou chá da ilha. Vendem-se em caixas de seis, o formato clássico para levar de Vila Franca.
- Leite
- Coalho (rennet)
- Gemas de ovo
- Ovo inteiro
- Açúcar
- Manteiga
- Banha
- Farinha de trigo
- Sal
- Açúcar em pó
Doces e lácteas, com um recheio cremoso e sedoso de gemas e queijo fresco que contrasta com a casca fina e amanteigada; o açúcar em pó acrescenta um toque final delicado.
Não devem confundir-se com as queijadas da Graciosa, mais pálidas e de massa diferente, nem com as de Sintra: as de Vila Franca distinguem-se pelo leite coalhado e pelas paredes plissadas. Entre produtores variam pequenos detalhes, como o uso de banha na massa ou a proporção de gemas.
Encontram-se por toda a ilha de São Miguel, em pastelarias e mercearias, e o produtor de referência é a Queijadas da Vila do Morgado, em Vila Franca do Campo, que recebe visitas à fábrica. Vendem-se classicamente em caixas de seis para levar.
Um café cheio ou um chá dos Açores, da plantação da Gorreana, em São Miguel.
A receita nasceu no Convento de Santo André, o primeiro convento da Primeira Regra de Santa Clara nos Açores, fundado em Vila Franca do Campo — então a primeira capital de São Miguel — no século XVI. Algumas fontes apontam a data de 1522, ano associado à doçaria das clarissas, embora a data exacta da criação da queijada permaneça incerta. Como acontecia com tanta doçaria conventual, terão surgido do aproveitamento das gemas, sobrando depois de as claras serem usadas noutros fins.
A tradição liga as freiras aos queijeiros que traziam leite e leite coalhado ao convento, e foi dessa união entre a doçaria religiosa e o saber leiteiro local que a queijada ganhou a sua identidade. Hoje é considerada uma das relíquias da doçaria conventual açoriana e dos doces regionais mais procurados da ilha.
Fontes: tradicional.dgadr.gov.pt · byacores.com · festivaldopaodelo.pt · cozinhaacoriana.pt