Queijadas da Graciosa
Também conhecido por: Covilhetes de Leite · Queijadas da Praia
A queijada açoriana sem queijo: leite cozido durante horas até virar âmbar.
- Origem
- Ilha Graciosa, Açores; doce caseiro tradicional, comercializado desde 1991
- Região
- Graciosa
- Época
- Todo o ano
Apesar do nome, a queijada da Graciosa não leva queijo nenhum. É uma pequena queijada aberta, assente numa caixa de massa muito fina e estaladiça, recortada em forma de estrela ou de flor, que segura um recheio macio e dourado de leite, açúcar e gemas perfumado a canela.
O que a define é o tempo. O leite e o açúcar cozem lentamente durante horas, até reduzirem a um creme espesso de cor acastanhada, quase caramelizado, ao qual só depois se juntam as gemas, a manteiga e a canela. É essa cozedura demorada que lhe dá o sabor fundo de leite tostado que poucas outras queijadas portuguesas têm.
Na Graciosa, a mais pequena e tranquila ilha do grupo central, foi durante gerações um doce de casa, presente em qualquer festa ou convívio com o nome antigo de covilhete de leite.
- Leite
- Açúcar
- Gemas de ovo
- Farinha de trigo
- Manteiga
- Canela
- Sal
- Água
O contraste manda: uma orla de massa finíssima e estaladiça em torno de um recheio sedoso e cremoso. O leite longamente cozido dá um doce profundo, com notas de caramelo e leite tostado, e a canela arredonda tudo. Doce, sim, mas com o amargo-doce da redução a impedir que canse.
A queijada da Graciosa pertence a uma grande família de queijadas açorianas de leite e ovos que, apesar do nome, não levam queijo. A mais famosa é a queijada da Vila, de Vila Franca do Campo, em São Miguel, de origem conventual e ainda mais miudinha. Na Terceira, o doce mais célebre é antes a queijada Dona Amélia, de outra escola, feita com mel-de-cana, especiarias e passas. Cada ilha guarda o seu ponto, a sua massa e a sua proporção de canela, e a da Graciosa distingue-se pela cozedura especialmente demorada do leite.
A verdadeira só se faz na Graciosa, sobretudo na Vila da Praia, de onde saem caixas para o resto do arquipélago e para a saudade dos emigrantes. Na ilha, compram-se à dúzia, fresquíssimas; fora dela, procure as embaladas com o selo da Marca Açores. O sinal certo é a massa fina e estaladiça e o recheio dourado-acastanhado, nunca um amarelo pálido de simples creme de ovos.
Pede um café cheio ou uma bica para cortar a doçura. Na Graciosa, sabe ainda melhor com um cálice de vinho de cheiro ou de um licor caseiro da ilha, ao fim de uma tarde.
Antes de ser marca e fábrica, a queijada da Graciosa era saber de cozinha doméstica, dominado por muitas donas de casa da ilha e conhecido como covilhete de leite, presente em festas e reuniões de família. A receita, com o seu segredo do ponto do leite, passava de geração em geração.
Das cozinhas familiares deu o salto para o comércio pela mão de Maria de Jesus Félix, que por volta de 1991 começou a vender o doce e que, em 2003, viu o Instituto Nacional da Propriedade Industrial atribuir-lhe o registo da marca Queijadas da Graciosa. Em março de 2015, foram o primeiro produto a receber o selo da Marca Açores, consagração de um doce que continua a sair, aos milhares por dia, de uma produção essencialmente artesanal e familiar.
Fontes: pt.wikipedia.org · queijadasdagraciosa.pt · byacores.com · 24.sapo.pt · cozinhaacoriana.pt