Pitos de Santa Luzia
Também conhecido por: Pito de Santa Luzia · Pitos
O embrulho de massa com doce de abóbora que se oferece no dia de Santa Luzia.
- Origem
- Vila Real, Trás-os-Montes; doce de tradição conventual
- Região
- Vila Real
- Época
- Dezembro (dia de Santa Luzia, 13 de dezembro)
Os pitos de Santa Luzia são a guloseima identitária de Vila Real: um quadrado de massa tenra, recheado com doce de abóbora e canela, cujas quatro pontas se repuxam para o centro e para cima, formando uma pequena trouxa em pirâmide quadrangular.
Apesar de a categoria os arrumar entre os fritos, os pitos não se fritam — vão a um forno bem quente, até a massa corar e ganhar um leve estaladiço por fora, mantendo-se macia por dentro. É um doce sazonal, feito apenas nos últimos meses do ano e indissociável do 13 de dezembro.
Mais do que um bolo, é um gesto: no dia de Santa Luzia, são as raparigas que oferecem o pito aos rapazes de quem gostam.
- Farinha
- Banha
- Ovo
- Açúcar
- Sal
- Doce de abóbora
- Canela
A massa é tenra e ligeiramente estaladiça nas pontas, com o sabor reconfortante da banha; o recheio de abóbora cozida com açúcar e canela é doce, sedoso e aromático, com um fundo morno de especiaria. O contraste entre a casca fina e o interior húmido é o que torna o pito tão fácil de comer um atrás do outro.
As proporções da massa e do recheio variam de casa para casa, e o doce de abóbora leva, na receita tradicional, canela e também uma pitada de pimenta. Algumas versões enriquecem a massa com leite ou um pouco de fermento. O formato em trouxa de quatro bicos, esse, mantém-se como marca da casa.
A referência incontornável é a Casa Lapão, em Vila Real, uma casa centenária de doçaria conventual, mas em dezembro encontram-se pitos um pouco por toda a doçaria e pastelaria da cidade. Para provar o verdadeiro, procure-os entre outubro e dezembro, e sobretudo no dia 13.
Pede um café cheio ou um chá quente; quem quiser ficar na tradição transmontana acompanha-o com um cálice de vinho do Porto ou de moscatel.
Os pitos são associados à doçaria do antigo Convento de Santa Clara, em Vila Real, e a sua origem é envolta em lenda. Uma das versões mais contadas atribui-os a uma jovem gulosa enviada para o convento, que ali se teria tornado freira devota de Santa Luzia. O próprio feitio do doce alimenta a tradição: lembra os pensos de pano que outrora se aplicavam sobre os olhos — e Santa Luzia é a padroeira da vista. Como acontece com muita doçaria transmontana, os detalhes variam de versão para versão e há até quem ponha em dúvida a origem conventual, pelo que convém tomá-los com prudência.
O que é certo é o ritual: a 13 de dezembro, dia de Santa Luzia, as raparigas dão o pito aos rapazes; a 3 de fevereiro, dia de São Brás, os rapazes retribuem com as ganchas. Os pitos estão inscritos no inventário dos produtos tradicionais portugueses, e a tradição de "dar o pito" continua bem viva nas ruas e pastelarias da cidade.
Fontes: tradicional.dgadr.gov.pt · cm-vilareal.pt · publico.pt · casalapao.pt · atlasobscura.com