Nº 151 Amêndoa Coberta de Moncorvo
Festivos & Sazonais · Trás-os-Montes

Amêndoa Coberta de Moncorvo

Também conhecido por: Amêndoas Cobertas de Moncorvo · Amêndoa Coberta de Torre de Moncorvo · Amêndoas de Moncorvo

A rainha da doçaria transmontana, fiada a açúcar e paciência no cobre.

Origem
Torre de Moncorvo, Trás-os-Montes · documentada desde 1908, com tradição muito anterior · IGP desde 2018
Região
Torre de Moncorvo
Época
Páscoa (disponível todo o ano)
Doçura
Riqueza
Dificuldade

A Amêndoa Coberta de Moncorvo é, na sua forma mais clássica, uma amêndoa doce pelada e torrada envolta numa grossa carapaça de açúcar branco, eriçada de pequenos biquinhos que se formam volta após volta na bacia de cobre. Cada grão é um pequeno ouriço cândido, do tamanho de um polegar, que se parte na boca com um estalido seco antes de revelar o miolo tostado e perfumado lá dentro.

Apresenta-se em três feitios: as brancas ou comuns, de casca clara e bicos pronunciados; as morenas ou de chocolate, banhadas no fim com calda acastanhada; e as peladinhas, de cobertura fina e lisa, sem espinhos. Servem-se às mãos cheias, em caixas e saquetas, e são figura obrigatória nas mesas de Páscoa do concelho, oferecidas a quem visita e levadas como prenda de quem regressa.

Mais do que um doce, é um objecto de artesanato comestível: o brilho fosco do açúcar, a irregularidade dos bicos e o peso surpreendente de cada amêndoa traem as muitas horas de trabalho paciente que cada lote exige.

Ingredientes
  • Amêndoa doce pelada
  • Açúcar
  • Água
  • Chocolate ou cacau em pó (variedade morena)
Sabor & textura

Um contraste nítido entre a casca de açúcar, que se desfaz seca e crocante, e o miolo de amêndoa torrada, quente, oleoso e aromático. É francamente doce, mas equilibrada pelo amargo discreto da amêndoa bem tostada.

Variações

Distinguem-se três tipos: as brancas (ou comuns), de bicos de açúcar pronunciados; as morenas (ou de chocolate), de cobertura acastanhada aplicada no fim; e as peladinhas, de casca fina e lisa, sem os característicos espinhos.

Onde provar

Procure-a nas confeitarias e produtores certificados de Torre de Moncorvo, sobretudo na época pascal; o selo IGP garante que foi feita no concelho, à mão e na bacia de cobre. Encontra-se também em lojas de produtos regionais transmontanos.

Acompanha bem com

Acompanha bem um café cheio ou um cálice de vinho do Porto; em Trás-os-Montes não destoa ao lado de um moscatel ou de uma aguardente velha da região.

História

Ignora-se ao certo quando começou a confeitar-se amêndoa em Moncorvo, mas a sua fama é antiga e bem viajada: a Câmara Municipal levou o produto à Exposição Universal de Londres, em 1851, e a publicação «Ilustração Transmontana» documenta a actividade das cobrideiras desde, pelo menos, 1908. A Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, em 1936, regista que estas amêndoas «celebrizaram em Portugal» a vila, e o Livro do Segundo Congresso Transmontano, de 1942, descreve um método de fabrico em tudo semelhante ao que ainda hoje se pratica.

O saber transmitiu-se de mulher para mulher, mãos enfiadas em dedais para resistir ao calor da calda, e manteve-se ininterrupto ao longo dos séculos, sempre ligado à Páscoa e às festas populares. Em Março de 2018 a União Europeia reconheceu-a como Indicação Geográfica Protegida, restringindo o nome ao concelho de Torre de Moncorvo, e em Setembro de 2019 foi eleita uma das Sete Maravilhas Doces de Portugal. A confeção artesanal tem sido, mais recentemente, candidatada a Património Cultural Imaterial.

Fontes: tradicional.dgadr.gov.pt · cm-moncorvo.pt · dgadr.gov.pt · diariodetrasosmontes.com