Nº 337 Pastéis de Peniche
Fritos · Oeste

Pastéis de Peniche

Um recheio dourado de gema e amêndoa, frito à beira-mar e polvilhado de açúcar e canela.

Origem
Provável origem conventual · Peniche, Oeste
Região
Peniche
Época
Todo o ano
Doçura
Riqueza
Dificuldade

Os pastéis de Peniche são pequenos folhados fritos da doçaria do Oeste, feitos de uma massa muito fina e quebradiça que se molda em formas e se enche com um creme de açúcar, gemas e amêndoa. Fritos até ganharem uma casca estaladiça e dourada, são depois polvilhados com açúcar e canela, num remate que perfuma toda a peça.

Por dentro, o recheio mantém-se macio e amanteigado, lembrando o coração dos pastéis de Santa Clara — denso de gema e amêndoa, doce sem ser enjoativo. Por fora, a massa estala ao primeiro trinco, num contraste de texturas que define o doce.

Comem-se à temperatura ambiente, muitas vezes acompanhando um café, e ganham um sabor especial quando se provam, como manda a tradição local, com o mar à vista. São doce de pastelaria de bairro e de mão de confeiteira, mais do que de produção industrial.

Ingredientes
  • Gemas de ovo
  • Amêndoa
  • Açúcar
  • Farinha de trigo
  • Manteiga ou banha
  • Água
  • Óleo para fritar
  • Canela em pó
  • Raspa de limão
Sabor & textura

Casca fina e estaladiça a envolver um recheio macio e amanteigado de gema e amêndoa; doce e perfumado pela canela e pela raspa de limão, com a riqueza do ovo a dominar sem enjoar.

Variações

Em Peniche, o mesmo par de massa fina e creme de ovos e amêndoa dá origem a doces aparentados como os amigos de Peniche e os penichenses, estes geralmente cozidos em vez de fritos. Cada confeiteira guarda a sua própria versão e proporções.

Onde provar

Procure-os em Peniche, em pastelarias da terra e sobretudo junto de confeiteiras particulares, já que se trata mais de um doce de fabrico caseiro do que de grande produção. Vale a pena perguntar localmente por quem ainda os faz.

Acompanha bem com

Um café cheio ou uma bica equilibram bem a doçura; para uma prova mais festiva, acompanhe com um vinho generoso do Oeste ou um moscatel.

História

A doçaria de Peniche enquadra-se na grande tradição conventual portuguesa, nascida nos conventos e mosteiros entre os séculos XIII e XIV e firmada sobretudo a partir do século XVIII, quando as casas religiosas passaram a vender doces de ovos e amêndoa para se sustentar. Os pastéis de Peniche, com o seu recheio rico de gema e amêndoa, partilham essa matriz, ainda que a sua atribuição direta a um convento concreto não esteja documentada com segurança.

O que as fontes confirmam é uma transmissão feita sobretudo de mão de mulher em mão de mulher, fora das pastelarias formais. Receitas como esta passaram entre confeiteiras locais ao longo de gerações, guardadas com discrição, e chegaram aos nossos dias como especialidade de fabrico caseiro mais do que de balcão. Em Peniche convivem com outros doces da terra — os amigos de Peniche, os penichenses, os esses e os pastéis de paciência —, todos eles variações em torno do mesmo par de massa fina e creme de ovos e amêndoa.

Fontes: noponto.pt · virgiliogomes.com · comercomquem.webnode.pt · pt.wikipedia.org