Amigos de Peniche
Também conhecido por: Amigo de Peniche · Penichenses
O doce que leva o nome dos amigos em quem não se confia.
- Origem
- Século XX · Peniche, Oeste — doçaria de inspiração conventual baseada no pastel de feijão
- Região
- Peniche
- Época
- Todo o ano
Os Amigos de Peniche são pequenos pastéis de massa fina e estaladiça, forrada em forminhas e recheada com um creme dourado de açúcar, ovos e amêndoa. Parentes próximos do pastel de feijão, distinguem-se pela presença marcante da amêndoa, que lhes confere corpo e um perfume tostado.
De tamanho individual, apresentam uma superfície ligeiramente caramelizada e um interior macio, quase fundente. São normalmente vendidos embrulhados em papel, individualmente ou em caixas de seis — muitas vezes acompanhados de uma folha que conta a origem da expressão que lhes dá o nome.
Comem-se à mão, ao final de uma refeição ou a meio da tarde com um café, e são um postal comestível de Peniche, vila piscatória do Oeste onde a amêndoa se tornou, por curiosa migração de saberes, parte da identidade doceira local.
- Amêndoa
- Açúcar
- Ovos
- Farinha
- Manteiga
- Raspa de limão
- Canela
- Açúcar em pó
Doce e amendoado, com a massa fina e estaladiça a contrastar com um recheio macio e fundente de gema e amêndoa; o açúcar caramelizado à superfície e um toque de limão e canela equilibram a riqueza.
A variante mais conhecida são os Penichenses, em formato de empada com cobertura crocante de açúcar, feitos pela Pastelaria Roma. Distinguem-se do pastel de feijão de Torres Vedras pela amêndoa, e convivem em Peniche com os esses e os pastéis de Peniche fritos.
Encontram-se nas pastelarias de Peniche — a Brismar e a Roma entre as mais ligadas ao doce — e em restaurantes da vila como o Estelas e o Nau dos Corvos. Procure-os embrulhados em papel ou em caixas de seis.
Um café cheio ou uma bica curta cortam-lhe a doçura; para um final mais festivo, acompanhe com um cálice de moscatel ou de vinho do Porto.
O nome não nasce da cozinha mas da história. A expressão "amigos de Peniche" designa, em português, os falsos amigos — aliados em quem não se pode confiar. A origem remonta a 1589, quando tropas inglesas desembarcaram na praia da Consolação, em Peniche, alegadamente para apoiar a causa de D. António, Prior do Crato, contra Filipe II de Espanha; a caminho de Lisboa, porém, saquearam e pilharam as povoações que atravessavam, traindo a confiança depositada neles. O povo de Peniche ficou, injustamente, ligado à ideia de traição.
O doce é bastante mais recente do que a lenda. Surgiu na doçaria local ao longo do século XX, com produção inicialmente caseira por algumas mulheres da terra; uma delas terá aberto a Pastelaria Resgate, uma das primeiras de Peniche. A marca "Amigos de Peniche" foi mais tarde mantida pela Pastelaria Brismar, enquanto a variante "Penichenses" passou a ser feita pela Pastelaria Roma. As pastelarias incluem nas embalagens a história da expressão, devolvendo bom nome à terra através do doce.
Fontes: pt.wikipedia.org · virgiliogomes.com · pastelariasroma.pt · cm-peniche.pt