Molotov
Também conhecido por: Pudim de Claras · Pudim Molotof · Pudim Malakof
Uma nuvem de claras em caramelo que parece suspender-se no prato.
- Origem
- Portugal continental, séc. XIX (do "pudim Malakof")
- Região
- De Norte a Sul
- Época
- Todo o ano
O Molotov é o mais aéreo dos pudins portugueses: um merengue cozido em banho-maria que cresce até preencher a forma e depois se desenforma como uma cúpula trémula, brilhante de caramelo escorrido. Onde os pudins clássicos são densos e dourados de gema, este é todo branco por dentro, leve como espuma firme, quase impossível de cortar sem que ceda à colher.
Nasceu da economia das cozinhas conventuais e caseiras, onde sobravam montanhas de claras depois de tanta gema gasta em ovos-moles, fios de ovos e pão de ló. Em vez de as deitar fora, batiam-nas em castelo com açúcar e levavam-nas ao forno — e do desperdício fez-se uma das sobremesas mais elegantes do país.
É sobremesa de mesa de festa, servida fria, normalmente coberta com um molho de caramelo ou, na versão mais conventual, com um creme de gemas que reúne os dois lados do ovo no mesmo prato.
- Claras de ovo
- Açúcar
- Caramelo (açúcar e água)
- Sal
- Raspa de limão (opcional)
- Gemas para o creme de acompanhamento (opcional)
Etéreo e tremeluzente: derrete-se na boca como merengue húmido, com uma doçura limpa de açúcar batido que o caramelo amargo e fluido vem equilibrar. A textura é o seu encanto — esponjosa, leve, sem peso na boca, em contraste total com a densidade dos pudins de gema.
Há quem o sirva apenas com o caramelo da forma e quem o cubra com um creme de ovos ou doce de ovos — esta última, a versão mais conventual, fecha o círculo do aproveitamento usando as gemas que ficaram. Surgem ainda variantes aromatizadas com limão, laranja ou canela, e a forma pode ser de chaminé clássica ou lisa.
Encontra-se em restaurantes tradicionais de norte a sul, sobretudo na carta de sobremesas caseiras, e em muitas pastelarias de bairro. É também um clássico das mesas de festa em casa. Procure-o bem frio e bem alto, com o caramelo a escorrer pelas paredes — sinal de que foi desenformado há pouco.
Pede um café cheio a seguir à refeição, ou um vinho do Porto branco ou um Moscatel de Setúbal, cuja doçura e frescura acompanham bem a leveza do pudim.
O nome original é "pudim Malakof", herdado da Guerra da Crimeia (séc. XIX): Malakof era a fortaleza que defendia Sebastopol, tomada em 1855 pelas tropas francesas do general Pélissier, que recebeu por isso o título de duque de Malakof. O doce batizou-se com o nome da vitória e entrou na doçaria portuguesa de Oitocentos como forma engenhosa de aproveitar as claras que sobravam da doçaria de gema.
Foi já no século XX, em torno da Segunda Guerra Mundial, que o nome "Malakof" deslizou para "Molotov" — muito provavelmente por confusão com Viatcheslav Molotov, o célebre ministro soviético dos Negócios Estrangeiros, então no auge da notoriedade. A troca pegou, e hoje quase ninguém o conhece pelo nome de origem. Apesar do nome belicoso, nada tem a ver com o cocktail incendiário.
Fontes: en.wikipedia.org · ciberduvidas.iscte-iul.pt