Nº 602 Marmelada Portuguesa
Doces de Fruta & Mel · De Norte a Sul

Marmelada Portuguesa

Também conhecido por: Marmelada · Marmelada de Marmelo · Marmelada Vermelha

Marmelo e açúcar apurados lentamente até formarem uma pasta rubi, firme e cortável.

Origem
Portugal · documentada pelo menos desde os séculos XV–XVI
Região
Portugal
Época
Todo o ano · preparação tradicional no outono
Doçura
Riqueza
Dificuldade

A Marmelada Portuguesa é uma conserva sólida de marmelo: lisa, consistente e suficientemente firme para se cortar à faca. A definição legal portuguesa reserva o nome à mistura homogénea e consistente obtida exclusivamente pela cozedura do mesocarpo do marmelo com açúcares. A cor tradicional vai do âmbar ao vermelho-rubi, aprofundando-se com a cozedura.

Não é a marmalade cítrica de uso britânico, nem uma compota líquida para colher. Serve-se em fatias, muitas vezes com pão ou queijo, e guarda-se tradicionalmente em tigelas rasas protegidas com papel. Também não deve ser confundida com a Marmelada Branca de Odivelas IGP, uma especialidade conventual mais clara, de processo e identidade próprios.

Ingredientes
  • Polpa de marmelo
  • Açúcar
  • Água apenas para a cozedura inicial
Sabor & textura

Doce e concentrada, com perfume floral de marmelo, acidez discreta e textura lisa, densa e cortável.

Variações

A proporção de açúcar, o tempo de cozedura e o grau de secagem variam entre casas, produzindo marmeladas mais claras e macias ou mais escuras e firmes. A Marmelada Branca de Odivelas IGP é uma especialidade distinta e não apenas uma versão pouco cozida.

Onde provar

Encontra-se em mercearias, mercados, lojas de produtos regionais e mesas familiares de todo o país, sobretudo depois da colheita do marmelo no outono.

Acompanha bem com

Queijo curado ou fresco, pão rústico, broa e chá preto.

História

A marmelada pertence à camada mais antiga da doçaria portuguesa escrita. O manuscrito culinário da Infanta D. Maria, compilado entre o final do século XV e o início do XVI, conserva três receitas de marmelada: uma atribuída a Ximénes, outra a Dona Joana e uma terceira de marmelada em pedaços. A multiplicidade das fórmulas mostra que o doce já tinha técnica e repertório próprios.

Nos séculos XVII e XVIII, receitas de marmelada aparecem com frequência nos livros de cozinha portugueses e o preparado entra também em tortas e pastéis. A circulação dessas práticas acompanhou a expansão portuguesa e deixou marcas noutras tradições açucareiras. Em Portugal, a tigela de marmelada caseira continuou ligada à colheita outonal do marmelo e à conservação doméstica do fruto.

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Fontes: diariodarepublica.pt · dl.uc.pt · revistas.rcaap.pt · cm-odivelas.pt · teleculinaria.pt · feed.continente.pt