Nº 057
Malassadas
Fritos · Açores

Malassadas

Também conhecido por: Malassadas de Carnaval · Malassadas de São Miguel · Malasadas

A fritura do Carnaval açoriano: massa lêveda, óleo a estalar e açúcar a colar nos dedos.

Origem
Fritura de Carnaval dos Açores, sobretudo de São Miguel
Região
Açores
Época
Carnaval
Doçura
Riqueza
Dificuldade

As malassadas são o doce de Carnaval dos Açores, e em poucas casas micaelenses passa a Terça-feira Gorda sem uma bacia de massa lêveda a crescer ao canto da cozinha. São bolinhos de massa fofa, fritos em óleo bem quente até ficarem dourados e, ainda quentes, passados por açúcar.

O nome diz quase tudo: "mal-assada", a massa que não vai ao forno mas chia no óleo. Por dentro são leves e arejadas como pão doce; por fora ficam com aquela casca fina que estala ao primeiro trinco. Comem-se à mão, em quantidade, e melam os dedos de açúcar.

A forma varia de casa para casa: umas redondas e achatadas, em jeito de filhó, outras esticadas com um buraco ao meio. O que não muda é a massa lêveda frita, a casca fina e o açúcar por cima.

Ingredientes
  • Farinha de trigo
  • Ovos
  • Açúcar
  • Leite
  • Fermento de padeiro
  • Sumo de laranja
  • Aguardente (em muitas versões)
  • Óleo para fritar
  • Açúcar e canela para polvilhar
Sabor & textura

Quentes, são fofas e arejadas por dentro, com uma casca finíssima que estala e, em muitas versões, o aroma a laranja a atravessar a massa. O açúcar e a canela por fora dão o doce; a massa em si é discreta, mais pão do que bolo. Bem escorridas, nunca enjoam — o segredo está em comê-las acabadas de fritar.

Variações

Há malassadas por todas as ilhas, com pequenas diferenças de massa e de tempero — umas mais perfumadas a laranja, outras com um cálice de aguardente. A forma também muda: ora bolinhos redondos e achatados em jeito de filhó, ora maiores e esticados, por vezes com um buraco ao meio. A versão que correu mundo, como a malasada do Havai, costuma ser maior e às vezes recheada de creme. No continente, os sonhos e as filhós são os primos mais próximos.

Onde provar

Antes de mais, em casa, no Carnaval — é aí que sabem melhor, acabadas de fritar. Pela altura da Terça-feira Gorda aparecem em pastelarias, feiras e festas por toda a ilha de São Miguel e pelo arquipélago. Quem visita os Açores fora da época encontra-as em algumas casas tradicionais que as mantêm o ano inteiro.

Acompanha bem com

Um café cheio ou um chá dos Açores — São Miguel guarda a Gorreana, a plantação de chá mais antiga da Europa, e é o único chá cultivado em solo nacional. Quem quiser à moda da festa acompanha com um cálice de aguardente.

História

A malassada pertence à grande família ibérica das frituras doces de massa lêveda, com parentes nos sonhos e nas filhós do continente. A tradição estará ligada ao ciclo do açúcar que floresceu na Madeira a partir do século XVI e que chegou também aos Açores, onde o doce se fixou sobretudo como fritura de Carnaval.

Faz parte da lógica antiga de gastar ovos, leite, gordura e açúcar antes do jejum da Quaresma — daí estar tão associada à Terça-feira Gorda e ao Entrudo. Nos bailes de Carnaval serviam-se sempre malassadas, e o doce chega a aparecer nas cantigas da época.

A tradição cruzou o Atlântico com a emigração das ilhas. No Havai, para onde foram trabalhar milhares de portugueses da Madeira e dos Açores a partir de 1878, as malasadas tornaram-se um clássico local, a ponto de a Terça-feira de Carnaval ser ali conhecida como "Malasada Day". É um dos casos mais saborosos de como a doçaria das ilhas viajou e criou raízes longe de casa.

Fontes: en.wikipedia.org · tradicional.dgadr.gov.pt · aeazores.org · keolamagazine.com · hawaiimagazine.com · gorreana.pt