Nº 607 Leite-Creme
Cremes & Natas · De Norte a Sul

Leite-Creme

Também conhecido por: Leite-creme queimado · Leite-creme conventual

O creme de tacho que se queima à mesa, com estalido de caramelo.

Origem
Doce de tacho de raiz conventual; popular em todo o país desde, pelo menos, o século XIX.
Localidade
De Norte a Sul
Região
De Norte a Sul
Categoria
Cremes & Natas
Época
Todo o ano
Evidência
Bem documentado
Doçura
Riqueza
Dificuldade

O leite-creme é o doce de colher mais transversal de Portugal: encontra-se à mesa do restaurante de bairro, na ementa do casamento e na cozinha da avó ao domingo. Leite fervido com casca de limão e pau de canela, ligado com gemas e um pouco de amido, e levado ao lume até velar as costas da colher.

O que o distingue não é a riqueza, mas a leveza. É um creme macio, amarelo-pálido, perfumado a citrino e canela, que se serve frio ou morno em taça funda ou prato raso.

A assinatura está no fim: uma camada de açúcar polvilhada e queimada com o ferro em brasa, que cria uma fina crosta de caramelo. Parte-se à colherada, com o contraste entre o estalido quente e o creme sedoso por baixo.

Ingredientes
  • Leite
  • Gemas de ovo
  • Açúcar
  • Casca de limão
  • Pau de canela
  • Amido de milho (ou farinha)
  • Açúcar extra para queimar
Sabor & textura

Cremoso e aveludado, doce na medida certa sem enjoar, com o frescor do limão e o calor da canela a equilibrar o creme. A crosta queimada acrescenta um amargo torrado e um estalido frágil que contrasta com a maciez por baixo.

Variações

Há quem o sirva sem queimar, simplesmente polvilhado de canela. Algumas casas usam só gemas e amido, outras juntam um pouco de farinha para um creme mais firme de cortar. Existem versões aromatizadas com baunilha em vez de canela e adaptações modernas em verrine ou tarte.

Onde provar

Está em praticamente qualquer tasca, pastelaria e restaurante tradicional de norte a sul. O melhor faz-se em casa ou nas cozinhas que ainda usam o ferro de queimar em brasa em vez do maçarico, deixando a crosta com aquele aroma a açúcar tostado.

Acompanha bem com

Pede um vinho doce fortificado, como um Moscatel de Setúbal ou um Madeira, ou simplesmente um café cheio a cortar a doçura. Em casa, acompanha bem uns biscoitos secos.

História

Como tantos doces portugueses ricos em gema, o leite-creme liga-se à tradição da doçaria conventual, onde sobravam gemas depois de as claras serem usadas para engomar hábitos e clarificar vinhos. Trata-se, porém, de uma família alargada de cremes de leite cozidos ao lume, comum a toda a Península Ibérica — irmão da crema catalana espanhola e primo do crème brûlée francês.

A diferença decisiva é o método: ao contrário do crème brûlée, cozido no forno em banho-maria, o leite-creme faz-se inteiramente no tacho e é, por isso, mais leve. O acabamento com o ferro de queimar em brasa precede em séculos o maçarico de cozinha moderno.

Receita relacionada Leite-Creme Ver receita →
Base documental

Bem documentado

5 fontes

Identidade sustentada por fontes institucionais, especializadas ou concordantes.

  1. tradicional.dgadr.gov.pt/pt/cat/doces-e-produtos-de-pastelaria/131-creme-queimado (abre numa nova janela)
  2. tasteoflisboa.com/blog/the-world-of-portuguese-conventual-sweets/ (abre numa nova janela)
  3. tastingtable.com/1150922/creme-brulee-vs-crema-catalana-whats-the-difference/ (abre numa nova janela)
  4. en.wikipedia.org/wiki/Crema_catalana (abre numa nova janela)
  5. theportugalnews.com/news/2024-04-13/from-convents-to-pastry-shops-your-guide-to-portuguese-sweets/87896 (abre numa nova janela)
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