Nº 595 Farófias
Cremes & Natas · De Norte a Sul

Farófias

Também conhecido por: Farófias · Claras em castelo cozidas no leite

Nuvens de clara cozidas no leite, sobre um creme de gema perfumado a canela.

Origem
Sobremesa tradicional portuguesa de origem precisa não documentada; associada em diferentes recolhas à Estremadura e a preparações aparentadas chamadas «nuvens».
Localidade
De Norte a Sul
Região
De Norte a Sul
Categoria
Cremes & Natas
Época
Todo o ano
Evidência
Bem documentado
Doçura
Riqueza
Dificuldade

As farófias são uma sobremesa de colher portuguesa: porções de clara batida em castelo, escalfadas durante poucos minutos em leite geralmente aromatizado com canela e casca de limão. Depois de escorridas, repousam num creme feito com o leite da cozedura, engrossado com gemas e, em muitas receitas, um pouco de amido.

Sem forno nem moldes, dependem sobretudo do ponto das claras e do controlo da temperatura do creme. Servem-se à temperatura ambiente ou frescas, normalmente num prato fundo e polvilhadas com canela. Existem variações familiares e regionais na consistência do creme, nos aromas e na apresentação.

Ingredientes
  • Claras de ovo
  • Gemas de ovo
  • Leite gordo
  • Açúcar
  • Pau de canela
  • Casca de limão
  • Canela em pó
  • Amido de milho
Sabor & textura

O contraste é tudo: as claras escalfadas são leves, esponjosas e quase aéreas, enquanto o creme de gema por baixo é macio, sedoso e doce na medida certa. A canela e o limão dão fundo e frescura, e a chuva final de canela acrescenta um toque amadeirado e perfumado a cada colherada.

Variações

Há quem escalfe as claras em calda em vez de leite, quem caramelize o açúcar para um fio dourado por cima, e quem aromatize o creme só com baunilha. Em algumas casas o creme é mais espesso, quase um leite-creme; noutras fica propositadamente líquido, para se beber no fim. A canela polvilhada é praticamente universal.

Onde provar

São mais um doce de casa do que de pastelaria, por isso a melhor versão costuma ser a feita em família. Encontram-se também em tascas e restaurantes de cozinha tradicional portuguesa, de Norte a Sul, onde figuram na lista de sobremesas caseiras ao lado do leite-creme e do arroz-doce.

Acompanha bem com

Pedem pouco mais do que uma colher, mas combinam bem com um café cheio para cortar a doçura, ou com um vinho generoso como um Moscatel de Setúbal ao fim da refeição.

História

A origem precisa das farófias não está estabelecida pelas fontes consultadas. Maria de Lourdes Modesto incluiu-as na Estremadura em «Cozinha Tradicional Portuguesa», enquanto outras recolhas registam preparações aparentadas chamadas «nuvens». Essas referências documentam circulação regional, mas não bastam para atribuir com segurança a invenção a um convento, local ou data.

Pertencem à mesma família técnica dos «œufs à la neige» franceses e das floating islands: claras cozidas separadamente e servidas com creme. Na prática portuguesa, é comum escalfar colheradas de clara no leite aromatizado com limão e canela e aproveitar esse leite no creme. A sobremesa permanece em repertórios domésticos e em restauração tradicional de várias regiões do país.

Receita relacionada Farófias — versão escalfada com creme de baunilha Ver receita →
Base documental

Bem documentado

4 fontes

Identidade sustentada por fontes institucionais, especializadas ou concordantes.

  1. media.rtp.pt/anossatarde/artigos/receita-farofias/ (abre numa nova janela)
  2. pt.wikipedia.org/wiki/Far%C3%B3fias (abre numa nova janela)
  3. virgiliogomes.com/index.php/cronicas/561-farofias (abre numa nova janela)
  4. historiasacucaradas.wordpress.com/2018/11/23/nuvens/ (abre numa nova janela)
Como avaliamos as fontes e a incerteza →