Espécies de São Jorge
Também conhecido por: Espécies · Bichos doces
A ferradura perfumada que guarda as especiarias dos Descobrimentos.
- Origem
- Século XV · Povoamento da Ilha de São Jorge, Açores
- Região
- Ilha de São Jorge
- Época
- Todo o ano, com destaque em festas populares e celebrações familiares
As Espécies de São Jorge são um dos folhados mais singulares e antigos da doçaria açoriana: pequenas tiras de massa tenra enroladas em forma de ferradura, anel ou letra, que envolvem um recheio escuro e intensamente aromático. A massa exterior, clara e quase sem doçura, é golpeada transversalmente para deixar entrever o recheio acastanhado por baixo — uma sucessão de pequenas janelas que dão à peça o seu aspecto inconfundível.
O recheio, preparado de véspera, mistura açúcar em ponto de fio com pão torrado e ralado e um punhado de especiarias — canela, erva-doce moída, pimenta-da-jamaica e raspa de limão. O contraste entre a casca seca e estaladiça e o interior denso e perfumado é a alma do doce.
Servem-se à temperatura ambiente, em festas populares e celebrações de família por toda a ilha, e acompanham bem um café ou um chá da tarde. São um doce de mastigar devagar, deixando que as especiarias se desdobrem na boca.
- Farinha de trigo
- Açúcar
- Pão torrado e ralado
- Manteiga
- Erva-doce moída
- Canela
- Pimenta-da-jamaica
- Raspa de casca de limão
- Ovos
- Água
A casca é seca, quebradiça e quase sem doçura, contrastando com um recheio denso, doce e profundamente especiado, onde a erva-doce e a canela dominam, animadas pela pimenta-da-jamaica e por um toque cítrico de limão.
Moldam-se em ferradura, anel, meia-lua ou em letras, conforme a mão de quem as faz; as proporções de especiarias e o uso de noz-moscada na massa variam de padaria para padaria e de família para família.
Encontram-se durante todo o ano nas padarias e pastelarias da Ilha de São Jorge, e em versões embaladas, com o selo "Açores Certificado pela Natureza", em mercearias e supermercados do arquipélago.
Pedem um café cheio ou um chá preto; na ilha, acompanham-se naturalmente com um copo de vinho de cheiro ou uma fatia do célebre queijo de São Jorge.
As espécies remontam aos primeiros séculos do povoamento de São Jorge, iniciado em meados do século XV, e eram antigamente conhecidas por "bichos doces" — pela semelhança da peça, golpeada e bicolor, com uma lagarta. A receita passou de geração em geração por via oral, e o seu nome deriva muito provavelmente das próprias especiarias ("especiarias" / "espécies") que a definem.
O gosto pelas especiarias liga-se à posição dos Açores nas rotas dos Descobrimentos, quando o arquipélago era escala obrigatória de navios que regressavam da Ásia, de África e do Novo Mundo, trazendo canela, pimenta e outros aromas então exóticos. Originalmente confeccionadas com banha, as espécies fazem-se hoje com manteiga; alguns autores apontam ainda influências alentejanas e flamengas na sua origem, fruto das diferentes vagas de povoadores da ilha.
Fontes: tradicional.dgadr.gov.pt · byacores.com · byacores.com · artesanato.azores.gov.pt