Nº 041 Cavacas de Resende
Bolos & Pães Doces · Norte

Cavacas de Resende

Também conhecido por: Cavacas de Resende com calda · Cavacas da Rópia

Pão-de-ló ensopado em calda, vestido de açúcar branco.

Origem
Resende, Beira/Douro · doçaria conventual e de romaria, atestada desde o século XIX
Região
Resende
Época
Todo o ano, com destaque nas feiras e romarias
Doçura
Riqueza
Dificuldade

As Cavacas de Resende são pequenos bolos de uma cor amarela intensa, parentes próximos do pão-de-ló, cortados em rectângulos de cerca de cinco centímetros e mergulhados em calda de açúcar. Por fora ostentam uma crosta branca e quebradiça de açúcar; por dentro guardam um miolo fofo, húmido e profundamente doce.

Não se confundem com as Cavacas das Caldas, secas e ocas: estas são, antes, um doce ensopado em doce. Servem-se geralmente frias, em prato, escorrendo ainda da calda perfumada a canela e limão em que foram embebidas, prontas a desfazer-se na boca.

Em Resende fazem-se ainda à moda antiga, amassadas à mão num banco artesanal e cozidas no forno de lenha do pão de milho, tal como se fazia no tempo dos avós.

Ingredientes
  • Ovos inteiros
  • Gemas
  • Açúcar
  • Farinha
  • Água
  • Pau de canela
  • Casca de limão
  • Manteiga (para untar)
Sabor & textura

Muito doce e húmido, com o miolo fofo de pão-de-ló a contrastar com a crosta branca de açúcar que estala ao primeiro trinco; ao fundo, a calda perfumada a canela e limão.

Variações

Variam sobretudo nas proporções de ovos e gemas e na intensidade da calda. Não se confundem com as Cavacas das Caldas da Rainha, que são secas, ocas e cobertas de glacé endurecido, ao passo que as de Resende permanecem moles e ensopadas.

Onde provar

Encontram-se em pastelarias e doçarias tradicionais do concelho de Resende, no distrito de Viseu, e em feiras e romarias da região, onde ainda se vendem feitas à mão e cozidas em forno de lenha.

Acompanha bem com

Pedem um café cheio ou um chá para cortar a doçura; uma taça de Moscatel ou de vinho do Porto acompanha-as bem ao fim da refeição.

História

A doçaria de Resende é antiga e ligada às romarias da região, onde as cavacas eram vendidas aos peregrinos. Um testemunho de finais do século XIX recorda as doceiras a estenderem em panos rendados vários doces fartamente cobertos de açúcar, apregoando: «Ó meu amigo, não leva meia libra? Olhe que são de Resende.»

Como sucede com tantos doces conventuais e regionais, a origem exacta perde-se na tradição oral. Uma lenda local atribui o doce a uma mulher de Vinhós que, tendo de adiar o casamento da filha por causa da peste, terá retirado a parte de cima do bolo e ensopado o restante em calda de açúcar para o conservar, agradando a todos com o resultado. Verdadeira ou não, a história capta bem a essência da cavaca: um pão-de-ló que ganha vida nova ao ser banhado em calda.

Fontes: tradicional.dgadr.gov.pt · grafe-e-faca.com · receitaseculinaria.pt · teleculinaria.pt