Bolo de Pé de Torresmo
Também conhecido por: Bolos de Pé de Torresmo · Bolos Pé de Torresmos · Bolo de Pé de Torresmos
O antigo bolo açoriano de milho, açúcar e pé de torresmo, seco e levemente tostado.
- Origem
- São Miguel · Açores · doçaria rural dos dias de cozer pão
- Região
- São Miguel · Açores
- Época
- Tradicionalmente no dia de cozer pão e no ciclo da matança; hoje todo o ano
O Bolo de Pé de Torresmo é um bolo-pão rústico de São Miguel, feito com farinha de milho, açúcar e o pé de torresmo — os pequenos resíduos saborosos que ficam no fundo do tacho depois de derreter e apurar o toucinho. A documentação oficial descreve-o também com leite e, por vezes, canela. Forma-se em bolos redondos baixos, do tamanho aproximado de uma tangerina, ou estende-se em tabuleiro para cortar em quadrados ou triângulos. A cozedura deixa-o dourado, bastante seco e levemente torrado: um contraste antigo entre a doçura do milho e do açúcar e a riqueza salgada da gordura de porco.
- farinha de milho
- farinha de trigo
- pé de torresmo
- torresmos picados
- açúcar
- ovos
- banha ou manteiga
- leite
- fermento
- canela (facultativa)
Miolo denso e granuloso, doçura moderada e crosta tostada, com notas salgadas e fumadas muito discretas do torresmo.
A fórmula antiga partia de massa ou rapadura de pão de milho; receitas atuais combinam farinha de milho e trigo, ovos e fermento. Pode levar canela, incluir torresmos picados além do resíduo do tacho e ser moldado em bolas achatadas ou cozido em tabuleiro.
É hoje uma especialidade rara. Procure-a em iniciativas de recuperação da cozinha tradicional de São Miguel, restaurantes de gastronomia açoriana ou fornadas domésticas ligadas às antigas festas da matança.
Café, chá preto dos Açores ou um pequeno cálice de aguardente.
Nas casas rurais micaelenses, o bolo aproveitava a rapadura da massa do pão de milho e o pé dos torresmos. Fazia-se no dia de cozer pão, muitas vezes no ciclo doméstico da matança do porco, transformando dois restos valiosos numa sobremesa que podia acompanhar a fornada. A DGADR regista o doce na tradição etnográfica açoriana e nota que, em São Miguel, era raro cozer pão de milho sem preparar pelo menos um destes bolos. O provérbio local ‘Dia de cozer, dia de roer’ conserva a memória desse costume. Hoje a receita é pouco comum, embora cozinheiros açorianos continuem a recuperá-la e tenha figurado entre os nomeados às 7 Maravilhas Doces de Portugal em 2019.
Fontes: tradicional.dgadr.gov.pt · foodwithameaning.com · gazetarural.com