Bola de Berlim
Também conhecido por: Bola de Berlim com creme · Berlim · bolinha
A bola dourada que percorre as praias de Portugal ao grito de 'olha a bolinha!'.
- Origem
- Anos 1940 · trazida da Alemanha por refugiados durante a Segunda Guerra
- Região
- De Norte a Sul
- Época
- Todo o ano (sobretudo verão)
A bola de Berlim é uma bola de massa fofa, levedada e frita, passada por açúcar enquanto ainda morna e aberta a meio para receber um generoso recheio de creme de ovos amarelo-vivo. Não tem furo: é redonda, gorda e dourada de um lado ao outro.
Apesar do nome alemão, a versão portuguesa afastou-se há muito da prima de Berlim. Onde a alemã leva compota de fruta, a nossa leva creme de ovos de gemas — mais rica, mais doce, inconfundivelmente portuguesa.
É, acima de tudo, o doce do verão. Vende-se em todas as pastelarias, mas o seu reino é a praia, onde os vendedores a transportam em arcas e a anunciam de toalha em toalha.
- farinha
- fermento de padeiro
- ovos
- leite
- manteiga
- açúcar
- óleo para fritar
- creme de ovos
Côdea fina e ligeiramente crocante de tanta fritura, miolo fofo e elástico, e um centro de creme de ovos sedoso e muito doce. O açúcar granulado por fora cruza com a baunilha e o limão do creme. Quente, é divinal; do frigorífico, perde a graça.
O creme de ovos é a referência, mas multiplicam-se as versões: sem recheio (à alemã, só polvilhada), com chantili, doce de ovos, chocolate, doce de leite e, mais recentemente, recheios de avelã, Kinder ou frutos vermelhos. Há também a bola de Berlim assada, mais leve, para os que evitam a fritura.
Numa boa pastelaria de bairro, sempre fresca e farta de creme. Em Lisboa, a Sacolinha — nascida em Cascais — é uma referência clássica. Mas a forma mais portuguesa de a comer é na praia, comprada à arca ao grito de 'olha a bolinha!', com os pés na areia.
Na praia, basta o sol e a sede que ela própria provoca. Numa pastelaria, um galão ou uma bica para cortar a doçura.
A bola de Berlim desce do Berliner Pfannkuchen alemão, o bolo levedado e frito recheado de compota que os alemães comem sobretudo na passagem de ano e no Carnaval. Chegou a Portugal pela mão de refugiados judeus e alemães que aqui se acolheram em redor da Segunda Guerra Mundial, num país neutro e porto de passagem para milhares em fuga — entre eles, conta-se, a hamburguesa Ruth Davidsohn, a quem a tradição atribui a sua difusão.
O recheio de compota, porém, nunca conquistou de todo o paladar português. As pastelarias depressa o substituíram pelo creme de ovos amarelo que os portugueses tanto amam, fixando assim a versão que hoje é tida como nacional — tão entranhada que muitos esquecem por completo a sua origem estrangeira.
Fontes: poligrafo.sapo.pt · pt.wikipedia.org · en.wikipedia.org · devourtours.com · sacolinha.pt