Biscoito da Teixeira
Também conhecido por: Doce da Teixeira · Biscoito da Teixeira de Lamego
O compadre das feiras e romarias do Douro.
- Origem
- Século XIX · Freguesia da Teixeira, Baião (Douro)
- Região
- Lamego
- Época
- Todo o ano · auge nas romarias de Verão
O Biscoito da Teixeira é menos biscoito e mais bolo: uma peça densa e compacta, moldada em forma retangular e cozida em forno de lenha, que sai escura por fora e firme por dentro. As versões mais robustas do sul do Douro, na zona de Lamego, ostentam um miolo cerrado e uma casca quase tostada, marcada no topo por dois furos que desenham um oito deitado.
Na boca não é doce em excesso. Domina o limão — casca e sumo — por vezes acompanhado de uma ponta de canela, sobre uma massa que se mantém húmida e que aguenta dias à temperatura ambiente. É essa resistência que o tornou inseparável das feiras: vendia-se aos pedaços, embrulhado em saco de plástico, para se comer pela mão ao longo da romaria.
Serve-se simples, cortado em fatias grossas, morno ou já frio. É comida de bolso e de caminho, pensada para durar e para se partilhar à mesa de uma festa de Verão.
- Farinha
- Açúcar amarelo
- Ovos
- Casca de limão
- Sumo de limão
- Sal
- Fermento
- Canela (em algumas versões)
Pouco doce e marcadamente cítrico, com o limão a comandar e, por vezes, um eco de canela. A textura é densa e compacta, húmida no miolo e de casca firme, mais bolo do que bolacha.
Há duas grandes famílias: a clara, de miolo branco e mais estaladiço, onde só fala o limão; e a escura e amarelada, com ovos e canela, mais próxima de bolo — esta última a mais associada à zona de Lamego. Existe ainda uma versão de "biscoito fino", feita com menos água.
Procure-o nas feiras, festas e romarias do Douro, sobretudo no Verão, onde se vende em sacos de plástico aos pedaços. Pastelarias e produtores artesanais de Lamego e de Baião fazem-no o ano inteiro.
Pede um café para cortar o cítrico, mas os locais não dispensam um cálice de Vinho do Porto — ou, em dia de festa, uma taça de espumante.
Ao contrário de tantos doces portugueses nascidos atrás das grades dos conventos, o Biscoito da Teixeira tem raízes humildes. A escassez dos ingredientes — farinha, açúcar, limão, sal e fermento — aponta para comunidades de poucos recursos da freguesia da Teixeira, em Baião, de onde lhe vem o nome. Há registos da sua presença nas romarias do século XIX, vendido de feira em feira por toda a margem do Douro.
Da serra de Baião, o biscoito espalhou-se por todo o Douro, ganhando sotaques locais. Na zona de Lamego, a sul do rio, firmou-se a versão mais escura e mais próxima de um bolo, distinta do interior branco e estaladiço que se faz noutras paragens. Em 2008 abriu na própria Teixeira um espaço dedicado à sua promoção, sinal do orgulho regional num doce que se mantém, há gerações, presença certa em qualquer festa.
Fontes: pt.wikipedia.org · tradicional.dgadr.gov.pt · viagens.sapo.pt · douroalliance.org