Areias de Cascais
Também conhecido por: Areias · Areias de Cascais com banha
A areia da praia que se desfaz na boca.
- Origem
- Século XIX · Vila piscatória de Cascais
- Região
- Cascais
- Época
- Todo o ano
As Areias de Cascais são pequenos biscoitos redondos de massa amanteigada, tão tenros e quebradiços que, ao primeiro trinco, se esfarelam numa nuvem de migalhas finas — daí o nome, que evoca a areia das praias da vila. Por fora vêm generosamente envoltos em açúcar, que lhes dá um brilho cristalino e uma casca ligeiramente granulosa.
Na boca não há resistência: derretem-se quase instantaneamente, deixando um rasto de manteiga e de aroma cítrico ou de canela. São doces discretos, de tamanho de uma noz, feitos para acompanhar e não para protagonizar.
Servem-se à temperatura ambiente, empilhados em pratos ou taças, a meio da tarde ou ao fim de uma refeição, normalmente várias de uma vez — porque uma só nunca chega.
- Manteiga (ou banha, na versão tradicional)
- Açúcar
- Farinha de trigo
- Raspa de limão
- Canela
- Açúcar para polvilhar
Quebradiço e amanteigado, derrete-se na boca quase sem mastigar, com a doçura cristalina do açúcar exterior e um fundo perfumado de limão e canela.
A versão antiga dos pescadores fazia-se com banha, que conserva melhor os biscoitos sem alterar o sabor; a versão urbana usa manteiga, mais aromática. Algumas receitas perfumam a massa com canela, outras apenas com raspa de limão ou baunilha.
Encontram-se nas pastelarias tradicionais e casas de doçaria da vila de Cascais e da região de Lisboa, muitas vezes vendidas a peso em saquinhos. As melhores, feitas com manteiga, costumam ainda ser caseiras.
Pedem um café cheio ou um chá a meio da tarde; ficam igualmente bem com um cálice de moscatel de Setúbal ou um vinho doce.
Doce de pastelaria popular e não de origem conventual, as Areias estão associadas a Cascais pelo menos desde o século XIX. Alberto Pimentel, em "Sem Passar a Fronteira" (1902), já referia a doçaria fina da vila. Conta a tradição que terão nascido nas mãos das famílias de pescadores, que as faziam com banha em vez de manteiga — versão mais humilde e duradoura —, o que talvez ajude a explicar o nome ligado à praia, embora a origem exacta permaneça incerta.
A primeira receita escrita com o nome "Areias de Cascais" surge em 1933, em "A Cozinha Ideal" do mestre Manuel Ferreira. Ao longo do século XX a receita sofreu alterações e perdeu alguma qualidade com a entrada das margarinas na pastelaria portuguesa, razão pela qual as versões mais fiéis, feitas com manteiga e o seu aroma característico, sobrevivem sobretudo na confecção caseira.
Fontes: virgiliogomes.com · tradicoesdoces.com · cozinhatradicional.com · viagens.sapo.pt