Toucinho do Céu
Também conhecido por: toucinho-do-céu
Bloco denso de amêndoa e gema, baptizado com o nome da banha de porco que já não leva.
- Origem
- Doce conventual · Guimarães e Murça, Norte · séc. XVI–XVIII
- Região
- Guimarães · Murça
- Época
- Todo o ano
O toucinho do céu é um dos pilares da doçaria conventual portuguesa: um doce denso, húmido e brilhante de amêndoa moída, muitas gemas e calda de açúcar em ponto. Cozido em forma e cortado em quadrados ou fatias finas, é tão rico que se come em pequenas porções — quase um doce de colher que aprendeu a manter-se de pé.
O nome desconcerta. 'Toucinho' lembra a banha de porco que, segundo a tradição, entrava nas receitas mais antigas, antes de ser substituída por manteiga ou de desaparecer de todo; 'do céu' é a promessa do convento. Duas terras do Norte disputam-lhe a glória: Guimarães, no Minho, onde as clarissas do convento de Santa Clara o tornaram célebre; e Murça, em Trás-os-Montes, herança das beneditinas que ali tiveram convento. Muitas versões juntam doce de gila à amêndoa.
- amêndoa moída
- gemas de ovo
- açúcar
- água
- doce de gila
- raspa de limão
- canela
- manteiga
Muito doce, denso e húmido, com o sabor fundo e tostado da amêndoa apoiado na riqueza da gema. A textura é compacta mas macia, quase fundente, e o açúcar deixa um brilho ligeiramente acetinado na boca.
Cada terra tem a sua, mudando sobretudo as proporções. A de Guimarães, herdeira de Santa Clara, é das mais celebradas; a de Murça figura entre os Produtos Tradicionais Portugueses. Muitas receitas, em ambas as terras, juntam doce de gila, que alonga a massa e a torna menos seca; há ainda versões perfumadas com canela ou limão, e outras quase só de amêndoa, gema e açúcar.
Em pastelarias e confeitarias tradicionais do Norte, sobretudo em Guimarães — onde várias casas dizem seguir a receita de Santa Clara — e em Murça, onde a Casa das Queijadas (Largo 31 de Janeiro) guarda as receitas conventuais. O de Murça figura na lista de Produtos Tradicionais Portugueses. Procure o doce vendido em pedaços densos e brilhantes, cortados de uma forma — não a versão aerada de supermercado.
Um Porto tawny ou um moscatel, que abraçam a doçura; em alternativa, um café curto para a cortar.
Nasceu atrás dos muros dos conventos, onde sobravam gemas — as claras iam para engomar hábitos e clarificar vinhos — e onde essa fartura deu origem a dezenas de doces de ovos e amêndoa. Em Guimarães, faz-se desde tempos antigos no convento de Santa Clara, fundado no século XVI; em Murça, atribui-se às monjas beneditinas que ali estiveram entre 1651 e 1890. Com a extinção das ordens religiosas no século XIX, as receitas transpuseram a clausura e ganharam nome por todo o país.
Cada terra acabou por reclamar a sua: além de Guimarães e Murça, há versões afamadas por todo o Norte e até no Alentejo, todas variações de uma mesma ideia conventual. Em Murça, a tradição é hoje guardada por casas como a Casa das Queijadas e celebrada por uma confraria criada em 2017.
Fontes: tradicional.dgadr.gov.pt · cm-murca.pt · virgiliogomes.com · en.wikipedia.org · asreceitasdogato.com · yourtoursportugal.com