Nº 171 Toucinho do Céu de Murça
Doçaria Conventual · Trás-os-Montes

Toucinho do Céu de Murça

Também conhecido por: Toucinho-do-céu de Murça · Toucinho do Céu transmontano

O céu transmontano numa fatia dourada de amêndoa e gila.

Origem
Doçaria conventual · Mosteiro beneditino de Murça (até finais do séc. XIX)
Localidade
Murça
Região
Trás-os-Montes
Época
Todo o ano
Evidência
Bem documentado
Doçura
Riqueza
Dificuldade

O Toucinho do Céu de Murça é um doce conventual denso e húmido, feito de uma calda de açúcar em ponto a que se juntam amêndoa ralada, doce de gila e muitas gemas de ovo. Ao contrário de outras versões do país, a de Murça assa-se num tabuleiro rectangular e corta-se depois em fatias regulares, de cor amarela viva e polvilhadas de açúcar em pó.

À vista é modesto — um rectângulo louro, quase translúcido nos bordos — mas na boca revela-se rico e quase fundente, com a amêndoa a dar corpo e a gila a soltar fios subtis. Come-se em pequenas porções, ao fim de uma refeição ou a meio da tarde, sempre acompanhado de algo que lhe corte a doçura.

Serve-se à temperatura ambiente e em pequenas fatias, dada a concentração de açúcar, amêndoa e gemas.

Ingredientes
  • Açúcar
  • Água
  • Amêndoa ralada
  • Doce de gila
  • Gemas de ovo
  • Farinha de trigo
  • Açúcar em pó (para polvilhar)
Sabor & textura

Muito doce e profundamente rico, com o sabor torrado da amêndoa, a maciez das gemas e o travo subtil da gila. A textura é húmida e densa, quase fundente, longe da leveza de um bolo de pão-de-ló.

Variações

A versão de Murça distingue-se pela forma rectangular, cortada em fatias, e pelo uso de amêndoa ralada e gila. Difere assim do toucinho do céu de Guimarães e de outras regiões, frequentemente assado em formas redondas e nem sempre com gila.

Onde provar

Encontra-se nas pastelarias e casas de doçaria tradicional de Murça e em feiras da região de Trás-os-Montes; a Real Confraria local promove o doce e a sua autenticidade. Procure-o sobretudo na própria vila, onde se fabrica pelos métodos antigos.

Acompanha bem com

Pede um vinho do Porto ou um moscatel, ou um café cheio que lhe equilibre a doçura. Em Trás-os-Montes, acompanha bem um licor caseiro ao fim da refeição.

História

A DGADR regista o doce como herança das monjas beneditinas instaladas num mosteiro de Murça até finais do século XIX. A mesma fonte atribui a transmissão do segredo de fabrico a Serafina Rosa Alves, empregada doméstica do convento, e depois à sua neta Hermínia Alves, proprietária da Casa das Queijadas. Trata-se de uma narrativa histórica publicada, não de uma receita conventual manuscrita reproduzida pela fonte.

Em 16 de Julho de 2022 foi apresentada a Real Confraria do Toucinho do Céu de Murça. O município relata que os produtores mantêm o mesmo método há mais de quatrocentos anos; apresentamos essa longevidade como reivindicação local, não como datação documental independente.

Receita relacionada Toucinho-do-Céu de Murça — fórmula Yämmi de Hélio Loureiro Ver receita →
Base documental

Bem documentado

3 fontes

Identidade sustentada por fontes institucionais, especializadas ou concordantes.

  1. tradicional.dgadr.gov.pt/pt/cat/doces-e-produtos-de-pastelaria/220-toucinho-do-ceu-de-murca (abre numa nova janela)
  2. cm-murca.pt/viver/comunicacao/noticias/noticia/real-confraria-do-toucinho-do-ceu-de-murca-nasce-para-valorizar-doce-conventual-historico (abre numa nova janela)
  3. feed.continente.pt/receitas/yammi/toucinho-do-ceu-de-murca (abre numa nova janela)
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