Tarte de Amêndoa
Também conhecido por: tarte de amêndoa do Algarve
Uma tarte dourada de amêndoa laminada e doce de ovos — o Algarve dos amendoais numa fatia.
- Origem
- Tarte regional · Algarve · enraizada na cultura secular da amêndoa algarvia
- Região
- Algarve
- Época
- Todo o ano
A tarte de amêndoa é o doce algarvio do dia a dia que se faz festa: uma base de massa quebrada (ou folhada) preenchida com um recheio macio de amêndoa, açúcar, ovos e manteiga, coberta de lâminas de amêndoa que tostam no forno até ficarem douradas e estaladiças. Quando sai do forno, o cheiro a amêndoa torrada enche a cozinha.
É um doce sem aparato, mas profundamente algarvio: nasce da terra das amendoeiras, das árvores espalhadas entre figueiras e alfarrobeiras que pintam a serra de branco no fim do inverno. Corta-se em fatias generosas, serve-se ao café ou ao fim de uma refeição, e encontra-se tanto na pastelaria de bairro como na mesa de festa.
Entre os doces de amêndoa do Algarve, é o mais despretensioso e talvez por isso o mais querido: não precisa de pasta moldada nem de fios de ovos para mostrar de onde vem.
- amêndoa moída
- lâminas de amêndoa
- açúcar
- ovos
- manteiga
- massa quebrada
- raspa de limão
- canela
Intensamente amendoada e doce sem ser enjoativa, com o recheio macio e húmido a contrastar com a base estaladiça e a cobertura de amêndoa tostada. A manteiga dá-lhe untuosidade, a raspa de limão refresca e a canela arredonda o conjunto; cada dentada sabe sobretudo a amêndoa torrada.
Há quem use base de massa quebrada e quem prefira massa folhada; algumas versões levam um creme de ovos mais líquido, outras uma pasta de amêndoa mais firme em jeito de frangipane. Existem tartes só de amêndoa e outras que cruzam a amêndoa com gila ou chila ou com doce de ovos. A tarte fina, de base folhada e camada de amêndoa muito delgada, é uma variante mais leve e moderna.
Em pastelarias e doçarias por todo o Algarve — Faro, Loulé, Silves, Tavira, Lagos — onde quase todas têm a sua versão; em Loulé, a Pastelaria Amendoal é uma casa de referência na doçaria regional de amêndoa. Procure a tarte verdadeira, generosa em lâminas tostadas e feita com amêndoa da região; a melhor é muitas vezes a caseira, das casas que ainda a fazem de raiz.
Um café curto, um chá ou um copo de medronho do Algarve; para acompanhar, um moscatel ou um licor de amêndoa amarga da região.
A tarte de amêndoa é herdeira directa da cultura da amêndoa no Algarve, introduzida pelos árabes e documentada na região desde a Idade Média. A partir dos séculos XVI e XVII, a amêndoa algarvia ganhou fama de exportação — vendia-se sobretudo para Inglaterra, e nos mercados do norte da Europa, como o belga, era cotada a preços altos sob o nome de "amêndoa de Faro" — e tornou-se a base de quase toda a doçaria regional, dos morgados aos Dom Rodrigos.
A tarte propriamente dita é uma forma mais doméstica de aproveitar essa fartura: em vez da pasta moldada e dispendiosa dos doces conventuais, junta a amêndoa a uma base de massa e a um creme de ovos numa peça simples de fazer e de partir. Não tem nome de convento nem data certa, mas pertence à mesma família de doces que fez do Algarve a terra da amêndoa por excelência.
Fontes: tradicional.dgadr.gov.pt · tradicional.dgadr.gov.pt · terraruiva.pt · ensina.rtp.pt