Nº 085
Sonhos
Fritos · De Norte a Sul

Sonhos

Também conhecido por: Sonhos de Natal · Filhoses de sonho

Bolinhas ocas e fofas, fritas até dourar e rebuçadas em açúcar e canela.

Origem
Doce conventual e caseiro, tradicional da quadra natalícia portuguesa.
Região
De Norte a Sul
Época
Natal
Doçura
Riqueza
Dificuldade

Os sonhos são pequenas bolas de massa frita, leves e ocas por dentro, que incham na fritura até parecerem quase soltas do mundo — daí o nome. Feitos a partir de uma massa escaldada muito próxima da massa choux dos profiteroles, levam menos manteiga e são moldados às colheradas que se deixam cair no óleo quente, onde rolam e crescem sozinhos.

Saem da frigideira dourados e irregulares, escorrem-se e passam-se ainda quentes por uma mistura de açúcar e canela. Em muitas casas servem-se assim, simples; noutras banham-se numa calda perfumada com vinho do Porto ou Madeira, limão e canela.

São um doce de Natal por excelência, daqueles que se fazem em grande quantidade e desaparecem à mesma velocidade, entre dedos pegajosos e segundas voltas ao prato.

Ingredientes
  • Farinha
  • Ovos
  • Manteiga
  • Água ou leite
  • Sal
  • Raspa de limão
  • Açúcar
  • Canela
  • Óleo para fritar
Sabor & textura

Por fora, uma casca finíssima e estaladiça; por dentro, um interior oco e amanteigado, quase a desfazer-se. O açúcar e a canela dão o doce quente e perfumado, e, se levarem calda, ganham um fundo de Porto e citrino que os torna ainda mais reconfortantes.

Variações

Há quem os sirva apenas polvilhados de açúcar e canela e quem prefira mergulhá-los em calda de vinho do Porto, Madeira ou simplesmente açúcar com limão. Variam também no recheio — alguns levam um fio de creme ou doce de ovos — e no tamanho, das bolinhas miúdas às mais generosas.

Onde provar

São antes de tudo um doce de casa, feitos em família na época do Natal. Encontram-se em pastelarias e padarias de tradição um pouco por todo o país, sobretudo entre dezembro e o Carnaval; no Minho e no Norte é onde a tradição está mais viva.

Acompanha bem com

Pedem um café cheio ou, à mesa de Natal, um cálice de vinho do Porto ou de moscatel que ecoa a canela e o citrino da massa.

História

Como tantos doces fritos portugueses, os sonhos pertencem ao vasto mundo das frituras de farinha, ovos e açúcar que ganharam força com a chegada do açúcar das ilhas atlânticas a partir do século XV e com a tradição conventual da doçaria. Distinguem-se, ainda assim, das filhós suas primas: enquanto a filhó leva massa lêveda, que precisa de fermentar e descansar, o sonho parte de uma massa escaldada — farinha cozida ao lume antes de receber os ovos —, sem levedura, o que o aproxima da pâte à choux difundida pela Europa na época moderna e o torna mais rápido de preparar.

Fixaram-se sobretudo como doce de Natal, com particular devoção no Minho e no Norte, em especial em Trás-os-Montes, embora hoje se façam de norte a sul do país. A origem precisa perde-se na cozinha doméstica e nos receituários antigos, pelo que vale mais celebrar a continuidade do hábito do que apontar uma data ou um convento certos.

Fontes: pt.wikipedia.org · vortexmag.net · pingodoce.pt