Nº 022
Queijada de Pereira
Bolos & Pães Doces · Centro

Queijada de Pereira

Também conhecido por: Queijadas de Pereira · Queijada da Pereira

A pequena queijada de queijo fresco de ovelha com sete vincos, fechada à mão uma a uma.

Origem
Pereira, Montemor-o-Velho (Baixo Mondego); referida no foral de D. Manuel I de 1513 e divulgada a partir do Real Colégio das Ursulinas, fundado em 1748.
Região
Pereira
Época
Todo o ano
Doçura
Riqueza
Dificuldade

A queijada de Pereira é um doce pequeno e despretensioso, do tamanho da palma de uma mão, com uma massa fina e quebradiça a abraçar um recheio claro de queijo fresco de ovelha. Reconhece-se à primeira vista pela coroa de vincos que lhe contorna a borda — sete, diz a tradição — feitos com os dedos para acomodar o recheio e dar à queijada o seu perfil enrugado e inconfundível.

Nasce na freguesia de Pereira, no concelho de Montemor-o-Velho, em pleno Baixo Mondego, onde os campos férteis e o leite de ovelha deram origem a uma das mais antigas queijadas portuguesas. É um doce de tabuleiro, vendido aos pares e às dezenas, de doçura contida e com um travo lácteo a lembrar o queijo.

Apesar da aparência modesta, é um produto de mãos: cada queijada é cheia e fechada individualmente, com a ajuda de um pequeno utensílio de ferro espetado numa rolha de cortiça, e cozida em forno de lenha.

Ingredientes
  • Queijo fresco de leite de ovelha
  • Gemas de ovo
  • Açúcar
  • Farinha de trigo
  • Água morna (para a massa)
Sabor & textura

O contraste é todo: a massa fina, seca e ligeiramente salgada parte-se à dentada e abre para um interior macio, húmido e suavemente adocicado, onde o queijo fresco deixa um travo lácteo discreto. Não é um doce empalagoso — a doçura é contida e o sabor do queijo e das gemas domina, com aquele toque tostado que o forno de lenha imprime na borda.

Variações

A receita é notavelmente estável, mas há diferenças subtis de casa para casa no ponto do recheio e na espessura da massa, e versões mais ou menos doces. Não deve confundir-se com outras queijadas portuguesas, como as de Sintra (mais especiadas, com canela) ou as queijadas conventuais de gema mais cremosa; a de Pereira distingue-se pela massa quebradiça e pelos seus característicos sete vincos.

Onde provar

Para provar a verdadeira, procure-a na própria freguesia de Pereira e na vila de Montemor-o-Velho, onde sobrevivem algumas fábricas e lojas familiares que ainda as fecham à mão e cozem em forno de lenha. Vendem-se frescas, do dia, em caixas de cartão ou em folha — e é assim, ainda mornas, que melhor se comem.

Acompanha bem com

Pede um café cheio ou uma bica, ao fim da manhã ou da tarde; com um chá preto simples também resulta bem, e os mais gulosos acompanham-na com um cálice de vinho do Porto branco ou um moscatel.

História

A referência escrita mais antiga conhecida remonta a 1513: o foral concedido a Pereira por D. Manuel I isentava as queijadas do pagamento de portagem — sinal de que já circulavam e tinham valor comercial. A sua difusão é tradicionalmente associada ao Real Colégio das Ursulinas de Pereira, fundado em 1748, de onde a receita terá passado para as casas da terra; o colégio funcionou na vila até meados do século XIX. Diz-se ainda que a pintora Josefa d'Óbidos terá retratado queijadas, o que ajuda a situar o doce na doçaria portuguesa de há séculos.

O saber-fazer passou de geração em geração, de forma sobretudo artesanal, mantendo o rigor dos ingredientes e dos tempos de cozedura. Hoje continua a ser produzida por algumas casas de Pereira e de Montemor-o-Velho, e figura no inventário oficial de Produtos Tradicionais Portugueses (DGADR).

Fontes: tradicional.dgadr.gov.pt · tradicional.dgadr.gov.pt · noponto.pt · publico.pt · cm-montemorvelho.pt