Queijada da Madeira
Também conhecido por: Queijadas da Madeira · Queijadas do Funchal
Requeijão, ovos e uma massa finíssima numa queijada histórica do Funchal.
- Origem
- Funchal, Madeira; documentada em registos conventuais de 1813-1815
- Localidade
- Funchal
- Região
- Madeira
- Categoria
- Bolos & Pães Doces
- Época
- Todo o ano
- Evidência
- Bem documentado
A queijada da Madeira é um pequeno bolo achatado, de sete a oito centímetros, em que uma base finíssima de massa se dobra para o centro a abraçar um recheio cremoso de requeijão, açúcar e ovos. As fontes documentam uma evolução importante: o inventário da DGADR de 2001 descreve requeijão de leite de cabra, enquanto o caderno de especificações atual do Requeijão da Madeira IGP define um produto de leite de vaca e identifica-o como ingrediente principal das queijadas pelo menos desde o início do século XX.
É um doce de casa e de festa, daqueles que se compram à dúzia nas velhas confeitarias do Funchal e se comem a qualquer hora. Pequena e despretensiosa, depende inteiramente da qualidade do requeijão e da mão de quem estende e dobra a massa.
- Requeijão — historicamente de cabra; atualmente também Requeijão da Madeira IGP de vaca
- Açúcar
- Ovos
- Farinha de trigo
- Manteiga
- Água
O contraste é tudo: uma orla de massa fina e amanteigada, quase biscoito, em torno de um recheio macio e cremoso. O requeijão dá-lhe um fundo lácteo e ligeiramente acidulado que equilibra o açúcar.
A ficha DGADR de 2001 inclui farinha no recheio e requeijão de cabra. Uma receita madeirense publicada em 1904, discutida por Funchal Notícias, não leva farinha no recheio; o atual Requeijão da Madeira IGP é feito de leite de vaca. Estas diferenças documentadas devem ser apresentadas como evolução e variantes, não como uma única fórmula imutável. A queijada de milho é outro doce madeirense distinto.
Procure-a nas pastelarias e confeitarias tradicionais do Funchal e nos mercados, onde ainda há produção artesanal. Repare na massa muito fina dobrada sobre um recheio em que o sabor do requeijão permanece reconhecível.
Pede um café cheio ou uma bica, ou, à boa maneira madeirense, um cálice de vinho Madeira mais seco, como um Sercial ou Verdelho, cujo travo corta a doçura do requeijão.
A queijada já figurava na pastelaria conventual madeirense no início do século XIX: um códice manuscrito do Convento de Nossa Senhora da Encarnação, no Funchal, regista "a Queijada" entre os doces preparados em 1813-1815 para celebrar as solenidades religiosas e as suas oitavas, documento publicado no Arquivo Histórico da Madeira em 1937. A par do bolo de mel, foi sempre uma referência da doçaria da ilha.
Durante mais de um século, casas como a Confeitaria Felisberta, a Mimo ou a antiga Penha d'Águia tornaram célebres as suas queijadas. A industrialização do produto fez quase desaparecer a verdadeira queijada de requeijão de cabra do mercado regional, o que torna ainda mais precioso encontrar uma feita como manda a tradição.
Bem documentado
Identidade sustentada por fontes institucionais, especializadas ou concordantes.
- tradicional.dgadr.gov.pt/pt/cat/doces-e-produtos-de-pastelaria/211-queijadas-da-madeira (abre numa nova janela)
- tradicional.dgadr.gov.pt/en/categories/desserts-and-pastry/211-queijadas-da-madeira (abre numa nova janela)
- visitmadeira.com/en/what-to-do/food-and-wine-enthusiasts/traditional-madeira-food/sweets-and-desserts/ (abre numa nova janela)
- funchal.pt/confeitaria-felisberta-de-novo-reaberta-e-inclui-museu-do-bolo-de-mel/ (abre numa nova janela)
- madeira.gov.pt/portals/9/documentos/requeijaomadeiraigp_ce_abril2023.pdf (abre numa nova janela)
- funchalnoticias.net/2020/08/05/queijadas-da-madeira/ (abre numa nova janela)