Queijada da Madeira
Também conhecido por: Queijadas da Madeira · Queijadas do Funchal
A queijada de requeijão de cabra que nasceu no Funchal.
- Origem
- Funchal, Madeira; documentada em registos conventuais de 1813-1815
- Região
- Funchal
- Época
- Todo o ano
A queijada da Madeira é um pequeno bolo achatado, de sete a oito centímetros, em que uma base finíssima de massa quebrada se dobra para o centro a abraçar um recheio cremoso. Não tem nada do amarelo-ovo das suas primas continentais: aqui o coração é branco, feito de requeijão de leite de cabra, açúcar e ovos, com um aroma lácteo e suavemente caprino que a distingue de tudo o resto.
É um doce de casa e de festa, daqueles que se compram à dúzia nas velhas confeitarias do Funchal e se comem a qualquer hora, com café ou simplesmente a meio da tarde. Pequena, despretensiosa, depende inteiramente da qualidade do requeijão e da mão de quem a faz.
- Requeijão de leite de cabra
- Açúcar
- Ovos
- Farinha de trigo
- Manteiga
- Água
O contraste é tudo: uma orla de massa fina e amanteigada, quase biscoito, em torno de um recheio macio e cremoso. O requeijão de cabra dá-lhe um fundo lácteo e ligeiramente acidulado que equilibra o açúcar, deixando um doce franco mas nunca enjoativo.
Há quem use requeijão de vaca quando o de cabra escasseia, com resultado mais neutro, e versões que enriquecem o recheio com raspa de limão ou canela. A queijada de milho, feita com farinha de milho, é outra queijada bem madeirense.
Procure-a nas pastelarias e confeitarias tradicionais do Funchal e nos mercados, onde ainda há quem a faça artesanalmente. O sinal de uma boa queijada é o recheio branco de requeijão de cabra, achatado e dobrado à mão, e não um disco industrial uniformemente amarelo.
Pede um café cheio ou uma bica, ou, à boa maneira madeirense, um cálice de vinho Madeira mais seco, como um Sercial ou Verdelho, cujo travo corta a doçura do requeijão.
A queijada já figurava na pastelaria conventual madeirense no início do século XIX: um códice manuscrito do Convento de Nossa Senhora da Encarnação, no Funchal, regista "a Queijada" entre os doces preparados em 1813-1815 para celebrar as solenidades religiosas e as suas oitavas, documento publicado no Arquivo Histórico da Madeira em 1937. A par do bolo de mel, foi sempre uma referência da doçaria da ilha.
Durante mais de um século, casas como a Confeitaria Felisberta, a Mimo ou a antiga Penha d'Águia tornaram célebres as suas queijadas. A industrialização do produto fez quase desaparecer a verdadeira queijada de requeijão de cabra do mercado regional, o que torna ainda mais precioso encontrar uma feita como manda a tradição.
Fontes: tradicional.dgadr.gov.pt · tradicional.dgadr.gov.pt · visitmadeira.com · funchal.pt