Pudim de Castanha de Bragança
Também conhecido por: Pudim de castanhas · Pudim de castanha da Terra Fria
O ouro da Terra Fria feito colher.
- Origem
- Terra Fria Transmontana · doce de aproveitamento da apanha da castanha, Bragança
- Região
- Bragança
- Época
- Outono e Inverno (época da castanha, à volta do São Martinho)
O pudim de castanha de Bragança é um doce de colher do Outono transmontano, feito do puré sedoso das castanhas da Terra Fria ligado a ovos, leite e açúcar. Desenforma-se como um pudim alto e tremente, de tom castanho-dourado, brilhante do caramelo que escorre pelos flancos e se acumula no prato.
À colher é denso e aveludado, com aquele travo terroso e adocicado que só a castanha cozida dá — mais encorpado do que um pudim de ovos comum, quase a meio caminho entre o pudim e o creme. Serve-se morno, quando o aroma da castanha ainda paira, ou bem fresco, depois de uma noite no frio.
É sobremesa de fim de refeição farta, das que fecham uma mesa transmontana de Inverno depois do butelo ou do cabrito. Aparece sobretudo entre Outubro e Janeiro, na época em que os soutos da Terra Fria largam a sua colheita.
- Castanhas da Terra Fria
- Ovos
- Leite
- Açúcar
- Manteiga
- Açúcar para o caramelo
- Canela
- Vinho do Porto branco
- Erva-doce (funcho)
- Sal
Doce sem ser enjoativo, com o sabor terroso e amanteigado da castanha em primeiro plano e um fundo quente de canela. A textura é densa e cremosa, mais pesada e encorpada do que um pudim de ovos, derretendo-se devagar na colher.
Há quem o faça mais leve, com leite, e quem o enriqueça com leite condensado para um interior mais cerrado; o vinho do Porto, a canela e a raspa de limão entram ao gosto de cada casa. Por toda a Terra Fria a castanha desdobra-se ainda em compotas, doces e bolos, e a mesma massa serve por vezes de recheio a tartes.
Procure-o em Bragança e pela Terra Fria no Outono e Inverno, em restaurantes de cozinha transmontana e nas feiras e festas da castanha, sobretudo à volta do São Martinho. É também doce muito de casa — frequentemente o melhor sai de uma cozinha de família na época da apanha.
Pede um cálice de vinho do Porto ou de moscatel, ou um vinho generoso da região; um café cheio fecha bem a refeição transmontana.
A castanha foi durante séculos o sustento das terras altas de Trás-os-Montes, alimento de pão e de panela muito antes de a batata e o milho chegarem da América. Nos concelhos de Bragança, Vinhais e Valpaços, que concentram a esmagadora maioria da produção nacional, a castanha continua a ser "o ouro" da Terra Fria — distinguida desde 1996 com a Denominação de Origem Protegida "Castanha da Terra Fria".
O pudim nasce dessa fartura sazonal: um modo doméstico e engenhoso de transformar a castanha cozida em sobremesa, casando-a com os ovos e o leite que a doçaria portuguesa herdou da tradição conventual. Sem casa nem confraria que reclame autoria fixa, é antes um doce de família e de época, repetido nas cozinhas brigantinas a cada apanha e hoje firmado entre as sobremesas típicas da região.
Fontes: receitaseculinaria.pt · pt.wikipedia.org · tasteatlas.com · tradicional.dgadr.gov.pt · vive.eixoatlantico.com