Nº 021
Pastel de Vouzela
Folhados · Centro

Pastel de Vouzela

Também conhecido por: Pastéis de Vouzela

Folhado finíssimo e estaladiço com doce de ovos, dobrado à mão em Vouzela.

Origem
Vouzela, região de Lafões; tradição conventual, século XIX
Região
Vouzela
Época
Todo o ano
Doçura
Riqueza
Dificuldade

O pastel de Vouzela é um pequeno folhado retangular, de massa tão fina que parece papel, com as pontas dobradas sobre si e um coração de doce de ovos macio. Sai do forno louro e arrepiado em finíssimas camadas e chega à mesa polvilhado com açúcar em pó, como uma leve nevada.

É primo direito do célebre pastel de Tentúgal — partilham a mesma família de massa esticada à mão até à transparência — mas tem identidade própria, ligada à vila de Vouzela e à região de Lafões, na Beira Alta. Quem os faz garante que, por dentro, massa e recheio em nada são iguais.

Morde-se e estala. As camadas desfazem-se em lascas que voam pelo prato, e debaixo delas espera o doce de ovos, sedoso e amarelo-vivo. É um doce de fazer poucos: a massa é trabalho de mãos pacientes, e o segredo guarda-se em família.

Ingredientes
  • Farinha
  • Água
  • Sal
  • Manteiga ou gordura (para tender a massa)
  • Gemas de ovo
  • Açúcar
  • Açúcar em pó (para polvilhar)
Sabor & textura

Primeiro o estalido: a massa parte-se em mil lascas finíssimas, etéreas e amanteigadas, quase a fundir-se na boca. Depois vem o doce de ovos, denso e sedoso, francamente doce e com a riqueza profunda das gemas. O açúcar em pó arredonda tudo. É leve no peso e generoso no sabor — o contraste entre o ar da massa e a untuosidade do recheio é o seu encanto.

Variações

O pastel de Vouzela mantém-se fiel à sua forma retangular de pontas dobradas e ao recheio de doce de ovos, com pouca margem para variação — a massa e o ponto do doce são o que distingue uma casa da outra. A comparação inevitável faz-se com o pastel de Tentúgal, da mesma escola de massa folhada esticada à mão; em Vouzela orgulham-se das diferenças de feitio, tamanho e dobra.

Onde provar

Na própria vila de Vouzela, onde um pequeno número de famílias o produz à mão segundo o método tradicional. A Rota do Pastel — um percurso guiado pela vila — e o Museu do Pastel de Vouzela, na Casa das Ameias, são bons pontos de partida para o conhecer, com prova incluída. Procure o pastel acabado de fazer, com a massa muito clara, seca e estaladiça e o doce de ovos visível nas pontas — nunca encharcado nem pesado. O verdadeiro é frágil e desfaz-se em lascas.

Acompanha bem com

Em Vouzela acompanha-se tradicionalmente com um copo de vinho branco da região, e é assim que o servem nas provas. Mas vai bem com chá, ao pequeno-almoço ou ao lanche, e um café curto também lhe corta a doçura na perfeição.

História

A tradição local atribui o pastel de Vouzela à doçaria conventual e, em concreto, ao Convento de Santa Clara, no Porto. Conta-se que, com o encerramento das casas religiosas no século XIX, o segredo terá chegado a Vouzela pela mão de duas antigas freiras daquele convento, que o ensinaram a uma jovem órfã da terra. Já casada e com muitas bocas para alimentar, ela terá feito do pastel o seu sustento, dando início ao negócio. Como sempre na doçaria portuguesa, a história não tem registo escrito — é tradição oral, passada de geração em geração, onde memória e lenda se misturam —, mas a ligação aos conventos e a chegada do saber à vila no século XIX repetem-se de avó para neta.

Hoje o pastel é feito por um punhado de famílias de Vouzela — habitualmente referidas como quatro — segundo um método inteiramente artesanal: a massa é esticada e seca sobre uma tela própria, gesto onde reside boa parte do segredo. Em 2019 figurou entre os sete doces do distrito de Viseu apresentados no concurso 7 Maravilhas Doces de Portugal, dando-lhe projeção nacional.

Fontes: pt.wikipedia.org · tradicional.dgadr.gov.pt · cm-vouzela.pt · visitvouzela.com