Nº 020
Pastel de Tentúgal
Folhados · Centro

Pastel de Tentúgal

Também conhecido por: Pastéis de Tentúgal

Folhado quase transparente, estaladiço, com doce de ovo — uma proeza de mãos.

Origem
Convento das Carmelitas de Tentúgal (Nossa Senhora do Carmo / Nossa Senhora da Natividade) · doçaria conventual
Região
Tentúgal
Época
Todo o ano
Doçura
Riqueza
Dificuldade

O pastel de Tentúgal é, antes de mais, uma massa: lâminas finíssimas de água e farinha, esticadas à mão pelas doceiras até ficarem quase transparentes — a tradição diz que se deve conseguir ler um jornal através delas. Sobrepostas, pinceladas e enroladas em torno de um recheio de doce de ovo, douram no forno até formarem um folhado leve que se desfaz em mil lascas.

Apresenta-se em palito (um cilindro alongado) ou em meia-lua, sempre polvilhado de açúcar e canela. É o doce-símbolo da vila de Tentúgal, no concelho de Montemor-o-Velho (região Centro), e tem Indicação Geográfica Protegida desde 2013 — uma das poucas pastelarias portuguesas com selo europeu.

Apesar de tão fino, não é um doce pesado: vive sobretudo da tensão entre a fragilidade da massa e a doçura sedosa do recheio.

Ingredientes
  • farinha
  • água
  • gemas de ovo
  • ovo inteiro
  • açúcar
  • canela
Sabor & textura

O primeiro contacto é o estaladiço: a massa quebra-se em lascas leves e secas que quase desaparecem na boca. Segue-se o recheio, um doce de ovo macio e brilhante, doce mas não enjoativo, com o perfume morno da canela e do açúcar que o envolve.

Variações

As formas clássicas são o palito e a meia-lua, havendo também uma versão em miniatura (palito miniatura). Diz-se que a receita original levava amêndoa no recheio, além do doce de ovo, mais tarde abandonada.

Onde provar

Na própria vila de Tentúgal, onde várias doçarias mantêm a produção artesanal segundo as regras da IGP, sob a Associação dos Pasteleiros de Tentúgal e a Confraria da Doçaria Conventual. Procure o selo de Indicação Geográfica Protegida e prefira pastéis frescos do dia, quando a massa está no auge do estaladiço.

Acompanha bem com

Um café cheio ou uma bica curta; em ocasião festiva, um cálice de moscatel ou de vinho do Porto.

História

A sua origem atribui-se às irmãs carmelitas do convento de Tentúgal — conhecido como Convento de Nossa Senhora do Carmo ou de Nossa Senhora da Natividade — onde a ordem viveu entre 1565 e 1898. Como tantos doces conventuais, vive do uso abundante das gemas de ovo, sobrando da clara, aproveitada para engomar roupa e clarificar vinhos. Conta-se que a receita original levava amêndoa, mais tarde abandonada por ser cara, e que terá passado das freiras para as mulheres da vila antes do encerramento do convento.

Foi essa transmissão, de mão em mão, que manteve viva uma técnica que não se aprende em livros: o esticar da massa sobre uma mesa, ou tradicionalmente sobre um pano, até atingir uma espessura ínfima. Hoje o pastel de Tentúgal está protegido por Indicação Geográfica Protegida (IGP), reconhecida pela União Europeia em 2013, que fixa a sua zona de produção e o saber-fazer das doceiras.

Fontes: tradicional.dgadr.gov.pt · ccdrc.pt · en.wikipedia.org · freguesiatentugal.pt · commons.wikimedia.org