Ovos Moles de Aveiro
Também conhecido por: Ovos moles · Ovos-moles de Aveiro
Gemas em calda de açúcar, seladas em hóstia e moldadas em búzios, peixes e barricas da ria.
- Origem
- Conventos de Aveiro, séc. XVI · IGP desde 2009
- Região
- Aveiro
- Época
- Todo o ano
Os ovos moles de Aveiro são uma das expressões mais puras da doçaria conventual portuguesa: gemas de ovo cozidas devagar numa calda de açúcar até ganharem um creme espesso, sedoso e de um amarelo profundo. Esse creme é depois selado dentro de finíssimas formas de hóstia — a mesma massa neutra das hóstias religiosas — moldada nos motivos da Ria de Aveiro: búzios, conchas, peixes, mexilhões e barricas.
Quem os prova surpreende-se com o contraste. A hóstia estala de leve e quase não tem sabor; logo a seguir, a gema cremosa enche a boca de uma doçura cheia. São pequenos, brilhantes e muitas vezes vendidos à dúzia, em caixas ou em barricas de madeira pintadas à mão.
Foi o primeiro produto de doçaria conventual português a receber Indicação Geográfica Protegida da União Europeia, estatuto que fixa por lei a sua origem, os ingredientes e até as formas tradicionais.
- gemas de ovo frescas
- açúcar
- água
- hóstia (farinha de trigo, água e gordura vegetal)
O recheio é intensamente doce, cremoso e quase fundente, com o sabor cheio e ligeiramente amanteigado da gema cozida em calda. A hóstia que o envolve é seca e neutra, estala ao morder e serve sobretudo para dar forma e contraste. É um doce pequeno mas muito concentrado: meia dúzia chega bem.
A forma mais clássica é a hóstia moldada nos motivos da ria — búzios, conchas, peixes, mexilhões, barcos e barricas. O mesmo creme vende-se também a granel, em barricas de madeira pintadas à mão, para barrar ou comer à colher. O creme de ovos moles serve ainda de recheio a muita outra doçaria portuguesa.
Procure sempre o selo IGP «Ovos Moles de Aveiro», garantia de que foram feitos na região e segundo a receita certificada. Encontram-se nas confeitarias históricas de Aveiro — a Confeitaria Peixinho, fundada em 1856, é a mais antiga casa de ovos moles — e em barricas pintadas vendidas por toda a cidade.
Pedem um café curto ou um chá para cortar a doçura. Em registo mais festivo, acompanham bem um vinho do Porto, um Moscatel ou um espumante da Bairrada, da mesma região.
Os ovos moles nasceram nos conventos de Aveiro, sobretudo no Mosteiro (Convento) de Jesus, onde as freiras usavam as claras para engomar os hábitos e ficavam com gemas a mais. Como em tanta doçaria conventual, essas gemas casaram-se com o açúcar — e em Aveiro havia açúcar: em 1502, D. Manuel I concedeu ao convento uma renda anual de açúcar da Madeira, destinada aos doces e à convalescença dos doentes.
Com a extinção das ordens religiosas no século XIX, as receitas saíram dos claustros para as mãos das doceiras e antigas educandas e criadas dos conventos, que as comercializaram e transmitiram. A tradição da hóstia moldada e das barricas pintadas firmou-se ao longo dos séculos XIX e XX, e em 2009 os ovos moles de Aveiro tornaram-se o primeiro produto de doçaria conventual português com Indicação Geográfica Protegida (IGP).
Fontes: en.wikipedia.org · pt.wikipedia.org · ec.europa.eu · qualigeo.eu · tradicional.dgadr.gov.pt · confeitariapeixinho.pt · publico.pt · pt.wikisource.org