Garibaldi
Também conhecido por: Garibáldi · Bolo Garibaldi · Garibaldi de Chocolate · Garibaldis
Duas folhas finas de pão de ló a guardar uma muralha de chocolate, fechada por fondant riscado.
- Origem
- Pastelaria lisboeta e de Almada · receita anterior a 1969, autoria não estabelecida
- Região
- Lisboa e Almada
- Época
- Todo o ano, servido fresco
O Garibaldi português é um pequeno quadrado de pastelaria fina em que o chocolate domina quase toda a altura. Uma lâmina muito fina de pão de ló forma a base; sobre ela assenta um bloco espesso de creme de manteiga com chocolate, mousse ou merengagem achocolatada; outra folha fina de pão de ló fecha o recheio. O topo recebe fondant ou creme de chocolate, frequentemente riscado com linhas em losango.
A secção lateral é o seu bilhete de identidade: amarelo, castanho, amarelo e novamente castanho numa cobertura muito mais fina. Não é um brownie nem um bolo de camadas convencional, porque as folhas de massa servem sobretudo de suporte a um centro frio, denso e aerado. É cortado de tabuleiros grandes em porções individuais geométricas.
- Folhas finas de pão de ló
- Chocolate
- Claras de ovo
- Açúcar
- Manteiga, natas ou ganache, conforme a versão
- Fondant ou creme de chocolate para a cobertura
Intensamente achocolatado, doce e fresco, com um centro simultaneamente firme e aerado. O pão de ló oferece apenas uma pausa leve e seca; a fina cobertura acrescenta uma película mais lisa e concentrada. Versões com mousse são menos gordas do que as antigas de creme de manteiga.
A fórmula clássica descrita pela Fabrico Próprio usa creme de manteiga fresca com chocolate e fondant. Casas posteriores substituem o entremeio por mousse ou ganache. A versão documentada na Condestável trabalha claras em castelo com cacau e repousa 24 horas no frio. O desenho superior pode ser em losangos, ziguezague ou simples camada lisa.
A Pastelaria Condestável, em Almada, continua a vender Garibaldis e é a referência histórica mais bem documentada. A Pastelaria O Capote, na Costa da Caparica, também declarou produzi-los, com pão de ló e chocolate. Em Lisboa, foram emblemáticos da antiga Central da Baixa e aparecem ocasionalmente noutras casas de fabrico próprio; confirme antes de se deslocar, porque já não são presença diária em muitas montras.
Café expresso curto e sem açúcar.
A história pública do Garibaldi contém uma correção importante. Foi durante anos atribuído ao pasteleiro Álvaro Pereira, que abriu a Pastelaria Condestável em Almada em 1969 e ali o tornou célebre. Em 2026, o filho Pedro Pereira explicou à Guia Repsol que a receita já existia e fora transmitida ao pai por um colega da Pastelaria Mexicana, em Lisboa. Assim, 1969 documenta a sua popularização em Almada, não uma invenção comprovada.
Também o nome exige cautela. O dicionário Priberam liga «garibáldi» ao general italiano Giuseppe Garibaldi, mas a investigação da Fabrico Próprio não conseguiu confirmar historicamente essa homenagem para o bolo. O certo é que a especialidade atravessou várias décadas da pastelaria lisboeta e da margem Sul. A Condestável continua a produzi-la, embora as vendas sejam hoje muito inferiores às centenas de unidades de fins de semana dos anos 1970 e 1980.
Fontes: fabricoproprio.net · guiarepsol.com · dicionario.priberam.org · gastronomias.com · amensagem.pt