Fofos de Belas
Também conhecido por: Fartos de Creme
Um pão de ló cilíndrico, aberto ao meio e recheado de creme — a glória doce de Belas.
- Origem
- Doce de ovos · Belas, Sintra (Lisboa) · meados do séc. XIX, c. 1850
- Região
- Belas
- Época
- Todo o ano
Os fofos de Belas são pequenos bolos cilíndricos, com cerca de seis centímetros de diâmetro, feitos de uma massa leve de farinha, ovos e açúcar — uma espécie de pão de ló alto e aerado. Depois de cozidos, abrem-se a meio com um corte horizontal, recheiam-se com creme de pasteleiro e polvilham-se generosamente com açúcar em pó.
O encanto está no contraste: a côdea fina e tostada do bolo, o miolo fofo e ligeiramente seco que dá nome ao doce, e o creme amarelo e sedoso a humedecê-lo por dentro. São doces simples na ideia e exigentes na execução, e há mais de século e meio que se fazem na mesma casa, em Belas, à beira da serra de Sintra.
- ovos
- açúcar
- farinha
- gemas de ovo
- leite
- amido de milho
- açúcar em pó (para polvilhar)
- raspa de limão ou baunilha (no creme)
A mordida é toda contraste. O bolo é leve e aéreo, com um miolo fofo e ligeiramente seco e uma côdea fina e dourada do forno de lenha; lá dentro, o creme de pasteleiro é macio, sedoso e francamente a gema, e humedece a massa que o envolve. O açúcar em pó por cima junta uma doçura fina e pulverulenta. É reconfortante e nada empalagoso, com o creme a equilibrar a secura do bolo.
É um doce de receita fixa, guardada por uma só família, pelo que as variações são poucas — vendem-se sobretudo em caixas de seis ou doze, ou avulso ao balcão. O nome antigo, fartos de creme, ainda aparece, e há quem encontre parentesco com outros bolinhos de creme do receituário lisboeta. Fora de Belas, qualquer pão de ló cortado e recheado de creme será sempre uma imitação, não o original.
O lugar certo é a própria Belas, na freguesia de Belas, concelho de Sintra: é ali, na Casa dos Fofos de Belas — a única casa que os faz, desde meados do século XIX — que se encontram os verdadeiros fofos, cozidos em forno de lenha e recheados na hora. Procure-os frescos, com o creme ainda macio e o açúcar a soltar-se à dentada — não duram bem muitos dias, e é assim que se devem comer.
Um café curto ou uma bica equilibram a doçura do creme; em registo de tarde, um chá preto simples ou um copo de leite, à boa maneira de quem ia a Belas ao domingo.
A história dos fofos confunde-se com a de uma única família. A casa que os faz começou por volta de 1840 como uma Casa do Pão-de-Ló, vendendo pão de ló e doçaria caseira nas feiras e romarias dos arredores de Lisboa; por volta de 1850 especializou-se quase só nos fofos e abriu portas ao público, passando depois a chamar-se Fábrica dos Fofos de Belas. Conta-se que a inovação nasceu da mãe de Liberdade Fonseca, que decidiu rechear o pão de ló tradicional com creme — tornando a massa mais densa e saborosa — e batizou o resultado, primeiro, de fartos de creme.
A receita manteve-se na família, transmitida de geração em geração, e os bolos continuam a cozer no forno de lenha original, cuja porta de ferro evoca os fornos dos palácios — tradicionalmente aquecido a lenha de eucalipto, que lhes empresta um travo subtil. Embora nunca tenham alcançado a projeção das queijadas e travesseiros de Sintra, os fofos de Belas chegaram a apurar-se para a semi-final das 7 Maravilhas Doces de Portugal, em 2019.
Fontes: tradicional.dgadr.gov.pt · fofosdebelas.com · sintranoticias.pt · pt.wikipedia.org