Cornucópias
Também conhecido por: Cornucópias de Alcobaça · Cornucópias de ovos-moles · Cornucópias de Angra do Heroísmo
Um chifre de massa estaladiça transbordando de ovos-moles, símbolo doce da abundância.
- Origem
- Conventos cistercienses da região de Alcobaça; tradicionalmente atribuídas ao Mosteiro de Coz, séc. XIII
- Região
- Conventos
- Época
- Todo o ano
A cornucópia é a doçaria feita imagem: um cone fino e quebradiço de massa, moldado em forma de chifre, frito ou cozido até ficar dourado, e depois recheado com ovos-moles — aquele creme sedoso de gemas e açúcar levado ao ponto certo. O nome vem do vaso clássico em forma de corno, símbolo de fartura, e o doce honra-o literalmente: serve-se sempre cheio até transbordar.
É uma das relíquias mais elegantes da doçaria conventual portuguesa. Pequena, dourada, por vezes polvilhada de amêndoa ou açúcar, contrasta o estalido da casca com o interior macio e amarelo-vivo. Come-se em duas ou três dentadas, mas a impressão demora.
Ligada sobretudo a Alcobaça, no centro de Portugal, é também especialidade de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira (Açores), onde ganhou contornos próprios — prova de como uma ideia conventual viajou e criou raízes.
- Farinha
- Manteiga
- Banha
- Açúcar
- Gemas de ovo
- Amêndoa ralada
- Água
O primeiro contacto é o estalido: a casca fina e seca parte-se com um som limpo. Logo a seguir chega o recheio — ovos-moles densos, brilhantes, com o doce profundo das gemas em ponto de açúcar, equilibrado pela neutralidade da massa. É rico sem ser enjoativo, com um toque tostado da amêndoa a fechar.
A forma é constante — sempre o cone — mas o detalhe varia. Em Alcobaça predomina o recheio de ovos-moles e o acabamento com amêndoa ou açúcar; em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, as cornucópias seguem fórmula aparentada mas com perfil próprio, levando por vezes pão ralado torrado na massa. Há ainda quem frite a casca e quem a coza, e versões mais ou menos finas consoante a casa.
Procure-as em Alcobaça, o seu berço, nas pastelarias históricas da vila — a Pastelaria Alcôa, fundada em 1957 frente ao Mosteiro, é uma das mais premiadas e tem na cornucópia o seu ex-líbris, distinguida na Mostra Internacional de Doces e Licores Conventuais de Alcobaça. As verdadeiras reconhecem-se pela casca fina e pelo recheio de ovos-moles feito na hora; desconfie das que vêm cheias de creme amarelo industrial. Nos Açores, são especialidade de Angra do Heroísmo.
Pede um café curto e amargo, ou um cálice de vinho generoso, como um moscatel ou um vinho do Porto, que aguentam a doçura intensa das gemas. Um chá preto simples também serve para limpar o palato entre dentadas.
A criação das cornucópias é tradicionalmente atribuída aos conventos da zona de Alcobaça, em particular ao Mosteiro de Coz — casa cisterciense feminina fundada no século XII e dependente da grande Abadia de Alcobaça — sendo o doce datado, por tradição, do século XIII. Como em quase toda a doçaria conventual, nasce da economia monástica: usava-se a clara de ovo para engomar hábitos e clarificar vinhos, sobrando montanhas de gemas que, casadas com o açúcar e a amêndoa, deram alguns dos doces mais célebres do país.
Após a extinção das ordens religiosas em 1834, as receitas saíram dos claustros para as mãos de doceiras seculares, que as mantiveram vivas. Em Alcobaça, conta-se que Joaquina Conceição Crespo, natural de Leiria e instalada na vila em 1928, foi das primeiras a confecionar cornucópias para venda. Ao longo do século XX a tradição firmou-se nas pastelarias da terra, e a cornucópia tornou-se um dos ex-líbris da doçaria local, presente na Mostra Internacional de Doces e Licores Conventuais de Alcobaça.
Fontes: pt.wikipedia.org · doceselicoresconventuaisalcobaca.wordpress.com · jornaldeleiria.pt · centerofportugal.com · amodadoflavio.pt