Nº 371 Celestes de Santa Clara
Doçaria Conventual · Lisboa

Celestes de Santa Clara

Também conhecido por: Celestes · Celestes de Santarém

Pequenos cilindros de amêndoa e ovo, brancos de obreia e tostados no topo.

Origem
Santarém · Convento de Santa Clara
Localidade
Santarém · Ribatejo
Região
Lisboa
Época
Todo o ano · presença tradicional no Festival Nacional de Gastronomia
Evidência
Bem documentado
Doçura
Riqueza
Dificuldade

Os Celestes de Santa Clara são pequenos doces cilíndricos de Santarém, feitos com amêndoa, ovos, açúcar, manteiga e limão e envolvidos em obreia. A ficha da DGADR fixa uma imagem muito precisa: cerca de 3,5 cm de altura por 3 cm de diâmetro, lados brancos formados pela folha de hóstia e topo amarelo tostado.

No interior, a amêndoa ralada é cozida com açúcar em ponto; depois de arrefecer, recebe claras batidas, gemas, manteiga e limão antes de voltar ao forno. A obreia dá estrutura ao pequeno cilindro e cria um contraste neutro e delicado com o recheio húmido e concentrado.

A apresentação tradicional é individual ou em caixas de seis ou doze unidades. O nome identifica o Convento de Santa Clara de Santarém e não uma origem genérica em qualquer casa da Ordem de Santa Clara.

Ingredientes
  • Amêndoa pelada e ralada
  • Gemas e claras de ovo
  • Açúcar
  • Manteiga
  • Limão
  • Obreia (folha de hóstia)
Sabor & textura

Muito doce e rico, com amêndoa e gema em primeiro plano, gordura discreta da manteiga e frescura de limão; a obreia fina contrasta com o interior húmido.

Variações

As proporções podem variar, mas a ficha tradicional documenta amêndoa, ovos, açúcar, manteiga, limão e obreia, além do formato cilíndrico com topo tostado. Versões sem manteiga ou limão devem ser entendidas como adaptações, não como a única fórmula histórica.

Onde provar

Procure em pastelarias e confeitarias de Santarém e confirme a disponibilidade antes da visita. A DGADR também documenta a sua apresentação tradicional no Festival Nacional de Gastronomia de Santarém.

Acompanha bem com

Café curto sem açúcar ou chá preto, para equilibrar a concentração de açúcar, amêndoa e gema.

História

A DGADR, citando a obra «Produtos Tradicionais Portugueses» de 2001, situa o nascimento dos Celestes no Convento de Santa Clara de Santarém, fundado em 1259 e ligado a D. Afonso III e à sua filha Leonor Afonso. A fonte regista como lenda — não como facto histórico — que anjos teriam concebido a receita e a oferecido às monjas em recompensa pela sua fé.

A mesma ficha documenta a primeira comercialização conhecida numa mercearia de Santarém pertencente a Ajax Augusto da Silva Rato, que recolhia os doces na roda do convento em dias e horas combinados. A receita difundiu-se depois através de noviças ou postulantes, embora a casa Ajax Rato continuasse durante anos como ponto de compra para os escalabitanos.

O guia gastronómico municipal de Santarém continua a apresentar os Celestes como uma especialidade nascida no convento. As fontes consultadas não permitem datar a invenção da receita nem provar pormenores biográficos posteriores além da cadeia documentada pela DGADR.

Receita relacionada Celestes de Santarém — fórmula arquivada por Maria de Lourdes Modesto Ver receita →
Base documental

Bem documentado

4 fontes

Identidade sustentada por fontes institucionais, especializadas ou concordantes.

  1. tradicional.dgadr.gov.pt/pt/cat/doces-e-produtos-de-pastelaria/748-celestes-de-santa-clara (abre numa nova janela)
  2. visitesantarem.pt/wp-content/uploads/2023/02/guiagastronomicosantarem_compressed.pdf (abre numa nova janela)
  3. cm-santarem.pt/descobrir-santarem/gastronomia/item/1096-celestes-de-santa-clara-docaria (abre numa nova janela)
  4. celestesecompanhia.pt/produto/os-celestes/ (abre numa nova janela)
Como avaliamos as fontes e a incerteza →