Celestes de Santa Clara
Também conhecido por: Celestes
Pequenas torres de amêndoa e gema, vestidas de obreia branca, douradas no cimo.
- Origem
- Doçaria conventual atribuída às clarissas do Convento de Santa Clara de Santarém, fundado em 1259 no reinado de D. Afonso III. Apesar do nome "de Santa Clara", são um doce identitário de Santarém (Ribatejo), e não devem confundir-se com a doçaria conventual de outras casas clarissas, como a de Vila do Conde, no Norte.
- Região
- Vila do Conde
- Época
- Todo o ano
Os Celestes de Santa Clara são pequenos doces cilíndricos de doçaria conventual de Santarém: um recheio denso de amêndoa ralada, gema e açúcar, envolto em obreia — a folha fina e branca de hóstia usada nos conventos. O resultado é um cilindro de paredes pálidas e topo dourado, pequeno, com poucos centímetros de altura.
A obreia não é só vestido: é o que lhes dá o contraste. Por fora, a folha estaladiça e neutra; por dentro, uma pasta húmida e intensamente doce. São doces de provar em duas ou três dentadas, daqueles que se vendem ao balcão, em caixas de meia dúzia ou dúzia.
Pertencem à grande família dos doces de amêndoa e ovo que as freiras de clausura aperfeiçoaram em Portugal, em que açúcar, gemas e amêndoa se transformam em algo que parece, de facto, celestial — daí o nome.
- Amêndoa pelada e ralada
- Gemas de ovo
- Açúcar
- Obreia (hóstia)
- Clara de ovo (em pequena quantidade)
Mordem-se primeiro pela obreia, fina e quase sem sabor, que cede de imediato a um recheio denso e húmido de amêndoa e gema, muito doce. É rico e concentrado: pequeno em tamanho, grande em intensidade.
O essencial — amêndoa, gema, açúcar e obreia — mantém-se constante. As proporções variam de casa para casa, e algumas descrições juntam manteiga e um toque de limão ao recheio, tornando-o mais cremoso ou perfumado, embora as receitas mais tradicionais os dispensem. O formato cilíndrico, de topo dourado e lados brancos, é o traço que melhor identifica os verdadeiros Celestes.
Procuram-se sobretudo em Santarém, nas pastelarias e confeitarias tradicionais da cidade, onde figuram entre os doces mais emblemáticos; há também produtores dedicados, como a Celestes & Companhia. O verdadeiro reconhece-se pelo cilindro pequeno e firme, envolto em obreia branca e tostado no topo. Sob o mesmo nome "de Santa Clara", outras regiões com conventos clarissas — como Vila do Conde — guardam as suas próprias tradições doceiras, distintas destas.
Pedem um café curto e forte, que equilibra a doçura intensa da amêndoa. Como acompanhamento mais festivo, um cálice de moscatel ou de vinho do Porto realça as notas de amêndoa e gema.
Os Celestes de Santa Clara são atribuídos às clarissas do Convento de Santa Clara de Santarém — fundado em 1259, no reinado de D. Afonso III, por freiras vindas de Lamego — e contam-se hoje entre as doçarias mais conhecidas da cidade. Como em quase toda a doçaria conventual, a receita foi guardada com cuidado dentro do claustro; reza a lenda que terá sido revelada às freiras por anjos, em recompensa pela sua fé — explicação piedosa para um doce que ficou conhecido como "celeste".
A receita acabou por sair da clausura: conta-se que Ajax Augusto da Silva Rato, merceeiro de Santarém e padrinho de uma das freiras, passou a vender os Celestes na sua mercearia, no centro da cidade. Mais tarde, Beatriz Ribeiro — conhecida como "Beatriz dos Celestes" — deu continuidade ao doce, fornecendo as pastelarias de Santarém, que o mantêm vivo até hoje.
O nome "de Santa Clara" surge associado a vários conventos clarissas em Portugal, incluindo o de Vila do Conde, no Norte, célebre pelas suas freiras doceiras; isso ajuda a confundir tradições distintas. Os registos e o reconhecimento oficial dos Celestes, contudo, apontam claramente para Santarém.
Fontes: tradicional.dgadr.gov.pt · cm-santarem.pt · cozinhatradicional.com · celestesecompanhia.pt · pt.wikipedia.org