Nº 532 Camafeus
Doçaria Conventual · Açores

Camafeus

Também conhecido por: Camafeus de noz · Camafeus de nozes · Camafeus açorianos

Pequenos camafeus de açúcar e noz, lapidados à mão como joias de mesa.

Origem
Século XIX · Doçaria conventual da ilha Terceira (Angra do Heroísmo)
Localidade
Angra do Heroísmo
Região
Açores
Época
Todo o ano · sobretudo no Natal e em festas
Evidência
Bem documentado
Doçura
Riqueza
Dificuldade

Os camafeus são doces minúsculos da ilha Terceira, do tamanho de uma noz, em que se concentra toda a intensidade da noz açoriana. O recheio nasce de uma calda de açúcar levada ao ponto, à qual se juntam nozes raladas e ovos, mexendo ao lume até a massa engrossar o suficiente para se moldar à mão em bolinhas perfeitas.

Cada bola é mergulhada num glacê de açúcar batido até ficar opaco e perfumado com uns pingos de limão, que ao secar veste o doce com um manto branco e baço. Por cima assenta-se sempre uma meia-noz, em relevo, num gesto que dá ao doce o seu nome e a sua silhueta de joia.

Servem-se em forminhas de papel rendado, alinhados em caixas como pequenas peças de ourivesaria, próprios das mesas de festa, dos baptizados e do Natal terceirense.

Ingredientes
  • Nozes raladas
  • Açúcar
  • Gemas
  • Claras
  • Água
  • Sumo de limão
  • Meias-nozes (para enfeitar)
Sabor & textura

Intensamente a noz e profundamente doce: o interior é macio e ligeiramente arenoso, abraçado por uma casca de glacê que estala de leve e se desfaz em açúcar. O limão corta a doçura o suficiente para a tornar viva.

Variações

A versão clássica leva sempre noz, mas encontram-se camafeus aromatizados com canela ou um toque de licor, e cada pastelaria de Angra guarda o seu ponto de calda e a sua espessura de glacê.

Onde provar

Procure-os nas pastelarias tradicionais de Angra do Heroísmo, na Terceira, como a Athanásio ou O Forno, e nas mesas de festa açorianas, sobretudo no Natal.

Acompanha bem com

Pedem um café cheio ou um cálice de vinho do Pico ou de licor, que equilibram a sua doçura concentrada.

História

O camafeu pertence à rica doçaria conventual da Terceira, herdeira dos conventos de Angra do Heroísmo — entre eles o de São Gonçalo, o mais antigo da cidade, e o da Esperança. Quando as ordens religiosas foram extintas em Portugal, em 1834, as receitas das freiras passaram para as mulheres que trabalhavam nos conventos e, com elas, para a doçaria caseira e comercial da ilha, sustentada pelo açúcar que chegava em abundância e pelas gemas, fartas numa terra de grande produção de ovos.

O nome evoca os camafeus — pequenas peças de pedra cinzelada, em baixo-relevo, que ornavam jóias e adornos femininos do século XIX, usados ao peito sobre fitas. A meia-noz coroada sobre o glacê branco recria, em miniatura comestível, essa figura em relevo, e fixou o doce como um dos emblemas da confeitaria terceirense.

Receita relacionada Camafeus da Terceira — fórmula publicada pela Cozinha Açoriana Ver receita →
Base documental

Bem documentado

3 fontes

Identidade sustentada por fontes institucionais, especializadas ou concordantes.

  1. tradicional.dgadr.gov.pt/pt/cat/doces-e-produtos-de-pastelaria/696-camafeus (abre numa nova janela)
  2. myangra.com/docaria-conventual-na-ilha-terceira/ (abre numa nova janela)
  3. cozinhaacoriana.pt/camafeus/ (abre numa nova janela)
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