Broas Fervidas
Também conhecido por: Broas Fervidas do Ribatejo · Broas Fervidas à Moda do Ribatejo · Broas de Santarém
As broas que se fervem antes de ir ao forno — mel, noz e anis que duram até ao Natal.
- Origem
- Doçaria conventual · Convento de São Domingos das Donas, Santarém (fundado em 1348)
- Região
- Santarém
- Época
- Natal e Todos os Santos (Outono e Inverno)
As broas fervidas são pequenos pãezinhos doces de mel, distintos das outras broas pelo método: tudo o que é líquido — água, azeite, mel, açúcar amarelo — vai primeiro ao lume com a noz, a canela e o anis, e só depois de levantar fervura se junta a farinha, mexendo até a massa engrossar e soltar do fundo do tacho. Daí o nome, e daí também a textura densa e demorada que as torna inconfundíveis.
Modeladas em pequenas formas ovais e achatadas, marcam-se com os dentes de um garfo, pincelam-se com ovo batido e vão ao forno apenas o tempo de ganharem casca dourada. Saem firmes, quase rijas, e endurecem ainda mais com os dias — qualidade, não defeito, pois é essa guarda longa que as fazia render de Todos os Santos até à consoada.
Servem-se polvilhadas com açúcar em pó, à mesa do Natal ribatejano, ao lado das filhoses e dos sonhos, ou guardadas numa lata onde esperam pacientemente, cada vez mais densas e perfumadas a mel.
- Farinha de trigo
- Mel
- Azeite
- Açúcar amarelo
- Água
- Miolo de noz
- Anis (erva-doce)
- Canela
- Ovo batido (para pincelar)
- Açúcar em pó (para polvilhar)
Profundamente doces de mel e açúcar amarelo, com o calor da canela e o frescor anisado da erva-doce, pontuadas pelo amargo terroso da noz. A textura é firme e compacta, quase rija, amaciando ligeiramente na boca à medida que o mel se dissolve.
Cada cozinha tem a sua: umas levam café além do mel, outras misturam farinha de trigo com fubá, há quem prefira o anis e quem fique pela canela, e quase todas trazem noz, embora algumas juntem amêndoa. As broas de azeite de Abrantes e as broas de batata-doce são primas próximas do mesmo receituário ribatejano.
Procure-as nas pastelarias e confeitarias tradicionais de Santarém, Torres Novas e Abrantes nas semanas que antecedem o Natal e o dia de Todos os Santos, ou nas feiras de doçaria tradicional da região do Médio Tejo. Em casa, fazem-se em quantidade para durar todo o período festivo.
Pedem um cálice de vinho do Porto ou de moscatel, ou um café cheio que corte a doçura. Na mesa de Natal, dão-se bem ao lado das filhoses, dos sonhos e dos demais doces fritos da região.
A tradição das broas em Santarém atribui-se às freiras do Convento de São Domingos das Donas, um dos mais antigos da cidade, fundado em 1348 e habitado por religiosas dominicanas até à morte da última freira, em 1895. Como em tantos conventos portugueses, foram mãos enclausuradas a apurar receitas de mel e especiarias para os dias santos, e as "broas de Santarém" ficaram associadas a essa herança conventual, distintas das broas de outras regiões.
O método fervido espalhou-se por todo o Ribatejo, com particular enraizamento em Torres Novas e Abrantes, onde se tornou presença habitual nos meses que antecedem o Natal. Cada família guarda a sua versão — umas com mais noz, outras com café, umas só de trigo, outras com fubá — transmitida de avó para neta como parte da doçaria festiva da região.
Fontes: ruralea.com · portugal-aptece.com · pt.wikipedia.org · pt.petitchef.com · outrascomidas.blogspot.com