Bolo-Rainha
Também conhecido por: Bolo Rainha
A irmã do bolo-rei sem fruta cristalizada: só massa fofa e frutos secos.
- Origem
- Variante mais recente do bolo-rei, ligada às pastelarias portuguesas, sobretudo a partir de Lisboa.
- Região
- De Norte a Sul
- Época
- Natal
O bolo-rainha é a resposta serena ao bolo-rei. Mesma massa lêveda e amanteigada, mesma coroa dourada com o buraco no centro, mas sem a fruta cristalizada que tanto divide à mesa de Natal. No lugar das frutas garridas, uma carga generosa de frutos secos — amêndoa, pinhão, noz, por vezes avelã e passas — que se tostam ao forno e se afundam na massa.
É o bolo de quem torce o nariz à abóbora e à cidra cristalizadas mas não quer abdicar da coroa de Natal. Por baixo da camada de frutos e do brilho do açúcar em pó, esconde a mesma fava e, tradicionalmente, o mesmo brinde surpresa do irmão mais antigo.
Serve-se às fatias ao longo de toda a quadra natalícia, do jantar de Natal ao Dia de Reis, normalmente como pretexto para mais um café e mais uma conversa.
- Farinha de trigo
- Fermento de padeiro
- Ovos
- Manteiga
- Açúcar
- Amêndoa
- Pinhão
- Noz
- Passas
- Vinho do Porto e aguardente
- Raspa de limão e laranja
A massa é leve, fofa e ligeiramente esponjosa, perfumada a citrinos e, em muitas receitas, a vinho do Porto e aguardente. É bem menos doce que o bolo-rei: a doçura vem sobretudo do açúcar em pó por cima e do mel que pincela a coroa. Os frutos secos tostados ganham protagonismo, com uma textura amanteigada e crocante que contrasta com a maciez do miolo.
Há quem mantenha a coroa estritamente sem qualquer cristalizada e quem admita uns fios de gila ou cabelo-de-anjo no interior. Existem versões recheadas — com creme de ovos, doce de gila ou chila — e adaptações modernas sem glúten ou com menos açúcar. O sortido de frutos secos varia conforme a casa e a região.
Nas pastelarias tradicionais de todo o país durante a quadra natalícia, sempre ao lado do bolo-rei. A Confeitaria Nacional, em Lisboa, casa que introduziu o bolo-rei em Portugal, é a referência histórica. Procure um bolo de massa fofa e frutos secos bem tostados, e não um sucedâneo industrial demasiado seco.
Uma fatia com um café cheio ou um chá; à mesa de Natal, acompanha bem um cálice de vinho do Porto, de Moscatel ou um espumante.
O bolo-rei chegou a Portugal pela Confeitaria Nacional, em Lisboa, por volta de 1869-1870, adaptado de um gâteau des rois francês. O bolo-rainha surge mais tarde como variação da mesma receita: conserva a massa rica e a forma de coroa, mas troca a fruta cristalizada por frutos secos, num gesto mais sóbrio e menos doce. A sua invenção exacta não está documentada e atribui-se genericamente às pastelarias que já produziam o bolo-rei.
Vale a pena notar que o brinde-surpresa, outrora escondido na massa, deixou de ser regra na produção comercial depois da legislação de 1999-2001 sobre brindes em alimentos; a fava mantém-se com mais frequência. Hoje o bolo-rainha é presença certa nas pastelarias de norte a sul durante o Natal, vendido lado a lado com o bolo-rei e escolhido por quem prefere fugir à cristalizada — uma divisão de gostos que, todos os anos, anima as mesas portuguesas.
Fontes: pt.wikipedia.org · pingodoce.pt · pingodoce.pt · lojascomhistoria.pt · rtp.pt · jornaleconomico.sapo.pt