Nº 038
Azevias
Fritos · Alentejo

Azevias

Também conhecido por: Empanadilhas · Azevias de grão · Azevias de batata-doce

Meias-luas fritas e estaladiças, recheadas de grão ou batata-doce com canela.

Origem
Alentejo e Algarve, doce de raiz antiga ligado às festas de Natal e Carnaval
Região
Alentejo · Algarve
Época
Natal e Carnaval
Doçura
Riqueza
Dificuldade

As azevias são pastéis fritos em forma de meia-lua, de massa fina e estaladiça, recheados com um doce cremoso de grão-de-bico ou de batata-doce perfumado com canela e limão. Depois de fritas em azeite ou óleo bem quente, são polvilhadas com açúcar e canela ainda mornas.

São um doce de tabuleiro, feito em grandes quantidades para a família e os vizinhos, sobretudo no Alentejo e no Algarve. A massa estende-se até quase se ver através dela, o recheio dobra-se lá dentro e os dentes do garfo ou os dedos selam as bordas em ondas.

No Algarve chamam-lhes muitas vezes empanadilhas; no Alentejo são azevias sem mais. O nome muda de região para região, mude-se ou não o recheio.

Ingredientes
  • Grão-de-bico (ou batata-doce)
  • Açúcar
  • Canela
  • Raspa e sumo de limão
  • Farinha
  • Azeite (na massa e para fritar)
  • Ovo
  • Banha
  • Amêndoa (opcional)
Sabor & textura

A massa quebra estaladiça e dá lugar a um recheio macio, doce e perfumado de canela e limão, com o fundo terroso e amanteigado do grão ou a doçura aveludada da batata-doce. O açúcar e a canela por fora deixam um toque rústico e quente.

Variações

As duas grandes famílias são as azevias de grão, mais ligadas ao Alentejo, e as de batata-doce, marca do Algarve. Há ainda versões com abóbora (gila), com feijão branco ou enriquecidas com amêndoa, e quem prefira fritar em azeite a óleo. A espessura da massa e a quantidade de canela mudam de casa para casa.

Onde provar

São raras nas pastelarias e brilham sobretudo nas cozinhas familiares e nas feiras e mercados de Natal do Alentejo e do Algarve. Procure-as em casas de doçaria regional de Évora, Beja, Faro ou Loulé por alturas do Natal e do Carnaval, ou peça a quem tenha avó alentejana ou algarvia.

Acompanha bem com

Pedem um vinho doce do sul, como um licoroso de Setúbal ou um moscatel, ou simplesmente um café forte. Ao Natal, acompanham bem as filhós e os outros fritos da consoada.

História

Doce humilde e antigo, a azevia partilha o nome com um peixe achatado e alongado, o Microchirus azevia, cuja forma estes pastéis recordam. As receitas chegam-nos da doçaria conventual do sul, surgindo em fontes como o Livro de Receitas do Convento de Santa Clara, e a sua difusão deve-se em boa parte à extinção das ordens religiosas no século XIX, quando o saber doce saiu dos conventos para as casas das gentes do campo.

O recheio variava com o que havia à mão, daí o grão-de-bico, a batata-doce, a abóbora (gila) ou o feijão. É um doce de poucos ingredientes e muito trabalho, feito tradicionalmente nas vésperas de Natal e no Carnaval, quando frigir azevias era ocasião de juntar a família à volta da mesa.

Fontes: tradicional.dgadr.gov.pt · pt.wikipedia.org · en.wikipedia.org · fototeca.cm-lagos.pt · outsider.pt