Ameixas de Elvas
Também conhecido por: Ameixa d'Elvas · Ameixas de conserva de Elvas
A rainha-cláudia cristalizada que atravessa fronteiras desde os conventos de Elvas.
- Origem
- Elvas, doçaria de raiz conventual; afamada a partir do século XIX
- Região
- Elvas
- Época
- Natal
As Ameixas de Elvas são ameixas rainha-cláudia colhidas ainda firmes, escaldadas e fervidas repetidamente em calda de açúcar até ficarem translúcidas, e depois secas ao sol até criarem uma fina crosta de açúcar cristalizado. Por dentro permanecem macias, húmidas e perfumadas; por fora ganham aquele brilho açucarado que as distingue.
Não se trata de um doce de tabuleiro, mas de uma conserva paciente. Cada ameixa é tratada quase individualmente, e o processo moroso explica por que motivo este é, ainda hoje, um acepipe de luxo, tradicionalmente reservado às mesas de festa e às prendas de Natal.
A Ameixa d'Elvas tem Denominação de Origem Protegida (DOP), reconhecida pela União Europeia desde 1996, e é uma das embaixadoras mais antigas da doçaria alentejana além-fronteiras.
- Ameixa rainha-cláudia
- Açúcar
- Água
- Sol (para a secagem)
Intensamente doces, mas com o frescor ácido da ameixa por baixo. A crosta de açúcar estala levemente e dá lugar a uma polpa macia, húmida e perfumada, quase de geleia. É um doce concentrado, para saborear devagar, uma ou duas de cada vez.
A forma mais célebre é a ameixa seca cristalizada, mas também se encontram ameixas de Elvas em calda, mais húmidas e brilhantes, vendidas em frasco. As caixas de madeira ou de tiras de bambu continuam a ser a apresentação clássica de prenda.
Em Elvas, nas casas e produtores tradicionais da cidade; existe mesmo uma Fábrica-Museu da Ameixa, instalada numa antiga fábrica de frutas doces, dedicada à história do produto. Procure sempre o selo de Denominação de Origem Protegida (DOP) «Ameixa d'Elvas», garantia de que se trata da rainha-cláudia da região (produzida em concelhos do Alentejo como Elvas, Borba, Estremoz e Vila Viçosa) e não de uma imitação.
Pedem um vinho doce ou fortificado: um Moscatel, um vinho do Porto ou um licoroso do Alentejo. Acompanham bem um café forte no fim de uma refeição de festa e fazem par natural com queijo de ovelha curado.
A arte de conservar a ameixa em açúcar é tradicionalmente atribuída aos conventos de Elvas. A receita das ameixas de conserva consta do receituário do Convento de Nossa Senhora da Consolação, das freiras dominicanas de Elvas (fundado em 1528 e extinto em 1861), e remonta provavelmente aos séculos XVI e XVII, quando as religiosas dominavam o trabalho moroso da cristalização da fruta. A variedade usada é a rainha-cláudia, particularmente bem adaptada ao clima quente e seco do Alentejo.
Foi no século XIX que a ameixa saiu do claustro e ganhou escala. A produção industrial arrancou em 1834, com a casa de José da Conceição Guerra, e seguiram-se outras fábricas em Elvas; o doce passou a ser embalado em caixas de madeira e exportado para a Europa e para as Américas (a exportação para os Estados Unidos terá começado por volta de 1875). A cidade chegou a viver, em larga medida, deste produto, e o seu prestígio internacional valeu-lhe dezenas de prémios em exposições mundiais.
Fontes: tradicional.dgadr.gov.pt · gov.uk · pt.wikipedia.org · visitportugal.com · jamesbondfood.com · radioelvas.com