Nº 401 Alcomonias
Doces de Fruta & Mel · Alentejo

Alcomonias

Também conhecido por: Alcamonias · Alcomonia

Rolão torrado, mel e pinhão tendidos e cortados em losangos.

Origem
Litoral Alentejano · especialmente Santiago do Cacém e Grândola
Localidade
Santiago do Cacém
Região
Alentejo
Época
Ligação documentada às feiras de setembro e 30 de novembro; pode ser confecionada durante todo o ano segundo fonte regional
Evidência
Bem documentado
Doçura
Riqueza
Dificuldade

As alcomonias são um doce tradicional do Litoral Alentejano, documentado pela DGADR e por investigação histórica sobretudo nos concelhos de Santiago do Cacém e Grândola. A fórmula patrimonial publicada pela Câmara Municipal de Santiago do Cacém leva mel, canela, água, pinhão torrado e rolão torrado — uma fração grosseira da moagem do trigo. A massa quente é tendida numa superfície enfarinhada e cortada em losangos antes de arrefecer.

As proporções não são uniformes. Um boletim municipal de 2007 recolheu de uma produtora uma receita com farinha de trigo peneirada, mel ou açúcar amarelo, água e pinhão. A revista municipal de património de 2023 regista que o açúcar tende hoje a substituir o mel, enquanto a forma losangular permanece. Estas são variantes documentadas da prática local, não uma fórmula nacional padronizada.

Ingredientes
  • Rolão ou farinha de trigo torrada
  • Mel ou açúcar amarelo, conforme a versão
  • Pinhão
  • Água
  • Canela na fórmula patrimonial publicada
Sabor & textura

Farinha torrada, mel e pinhão na fórmula patrimonial; textura e doçura dependem da proporção e do uso de mel ou açúcar.

Variações

A receita municipal de 2023 usa rolão, mel e canela; a recolha municipal de 2007 usa farinha peneirada e permite mel ou açúcar amarelo. A investigação histórica regista cominho em aceções antigas do nome, mas não nos ingredientes atuais.

Onde provar

A documentação municipal liga-as à Feira de Santo André, em 30 de novembro, e à Feira do Monte, no primeiro fim de semana de setembro. O Setubalense documenta também a Feira de Melides e produção em Santiago do Cacém e Grândola.

Acompanha bem com

Não existe acompanhamento tradicional único demonstrado nas fontes municipais e académicas consultadas.

História

A origem medieval da receita atual não está diretamente demonstrada, mas o nome tem documentação histórica sólida. A revista municipal, apoiando-se no estudo de Maria da Conceição Vilhena, refere o vocábulo em documentos do século XV para um doce romboidal de linhaça, cominho ou gergelim e mel e relaciona-o com o árabe kammunîya, «parecido com o cominho». Um estudo histórico publicado em 2024 dá a forma al-kamūniyya, «a que tem cominhos», e observa que o cominho desapareceu dos ingredientes atuais.

A mesma revista municipal documenta a alcomonia como doce sazonal e regional vendido na Feira de Santo André, a 30 de novembro, e publica uma receita fixada por Manuel Fialho. Um boletim municipal anterior entrevistou Leonilda, então com 81 anos e mais de cinquenta anos de prática, que transmitira a confeção à filha Isalina. Estas fontes comprovam continuidade familiar e feirante recente; a associação à herança árabe é etimológica e historiográfica, não uma cadeia documental ininterrupta da receita.

Receita relacionada Alcomonias — Fórmula Patrimonial de Santiago do Cacém Ver receita →
Base documental

Bem documentado

5 fontes

Identidade sustentada por fontes institucionais, especializadas ou concordantes.

  1. tradicional.dgadr.gov.pt/pt/cat/doces-e-produtos-de-pastelaria/992-alcomonias (abre numa nova janela)
  2. cm-santiagocacem.pt/wp-content/uploads/Revista-N.o-1-Salvaguarda-Patrimonio-Historia-e-Cultura-de-Santiago-do-Cacem.pdf (abre numa nova janela)
  3. cm-santiagocacem.pt/wp-content/uploads/Boletim-6.pdf (abre numa nova janela)
  4. dialogosmediterranicos.com.br/RevistaDM/article/download/474/526/2648 (abre numa nova janela)
  5. osetubalense.com/edicao-1000/especial-165-anos/alcomonias-ha-mais-de-um-seculo-a-adocar-a-regiao/ (abre numa nova janela)
Como avaliamos as fontes e a incerteza →