Nº 049
Tarte de Alfarroba
Bolos & Pães Doces · Algarve

Tarte de Alfarroba

Também conhecido por: Tarte de alfarroba e amêndoa · Bolo de alfarroba · Torta de alfarroba

O "chocolate" do Algarve, nascido da vagem que pendurava nas alfarrobeiras.

Origem
Algarve, doçaria rural de raiz mediterrânica e árabe
Região
Algarve
Época
Todo o ano
Doçura
Riqueza
Dificuldade

A tarte de alfarroba é a sobremesa que melhor traduz a paisagem do interior algarvio: castanha, densa e profundamente aromática, feita a partir da farinha das vagens secas da alfarrobeira. Sem um grama de chocolate, engana o palato com um sabor que lembra cacau tostado, mas mais terroso, com fundo de caramelo e mel.

Na sua forma mais tradicional, é uma tarte alta e húmida, muitas vezes enriquecida com amêndoa moída — a outra grande dádiva das serras algarvias. A massa cozida fica entre o bolo e o pudim, com miolo cerrado e superfície a brilhar de açúcar.

É uma doçaria humilde, de casa de campo e de feira, que ganhou nova vida nas pastelarias da região como bandeira de um Algarve que sabe a sol, a sequeiro e a sombra das árvores.

Ingredientes
  • Farinha de alfarroba
  • Amêndoa moída
  • Ovos
  • Açúcar
  • Manteiga ou óleo
  • Farinha de trigo
  • Fermento
  • Raspa de laranja ou canela
Sabor & textura

O primeiro impacto é o de um chocolate escuro, mas logo se revela diferente: mais doce e arredondado, com notas de caramelo, frutos secos e um travo ligeiramente terroso. A textura é húmida e densa, quase fudgy, a amêndoa dá granulado e a raspa de laranja levanta o conjunto.

Variações

Há quem a faça só com farinha de alfarroba e quem reforce a amêndoa, e não falta a versão com figo seco, outro fruto rei do Algarve — a chamada tarte de três delícias junta alfarroba, amêndoa e figo. Encontram-se também bolos altos em vez de tartes, mousses, brigadeiros e gelados de alfarroba, e variantes mais modernas com cobertura ou recheio cremoso.

Onde provar

É fácil de encontrar nas pastelarias e cafés do interior algarvio — Loulé, Silves, São Brás de Alportel, Tavira — e nas feiras e mostras de doçaria regional. Procure as tartes de aspeto rústico e húmido, feitas com farinha de alfarroba local e não com cacau disfarçado.

Acompanha bem com

Pede um café cheio ou uma bica, que faz eco das suas notas tostadas. Para acompanhar à mesa, vai bem com um licor de alfarroba ou de medronho, ou com um copo de moscatel doce.

História

A alfarrobeira foi difundida no sul da Península Ibérica sobretudo durante a presença árabe, entre os séculos VII e XI — a própria palavra "alfarroba" vem do árabe al-kharruba, "a vagem". No Algarve encontrou o clima quente e seco e os solos pedregosos do barrocal de que precisa. Durante séculos as vagens serviram sobretudo de forragem para o gado e de alimento de recurso em tempos de fome, quando a sua doçura natural a tornava preciosa; já em 1579 se vendia alfarroba nas feiras algarvias. Da mesma vagem vem, por via grega, a palavra "quilate": as suas sementes serviam de referência para pesar ouro e pedras preciosas nos mercados antigos.

A tarte tal como a conhecemos é relativamente recente, fruto da cozinha doméstica e de feira que aproveitava um produto local, barato e abundante, juntando-lhe amêndoa, ovos e açúcar. Hoje, num país que é o maior produtor mundial de alfarroba — com o Algarve a concentrar quase toda a produção nacional —, a tarte deixou de ser comida pobre para se afirmar como ícone gastronómico regional.

Fontes: guiarural.pt · tradicional.dgadr.gov.pt · agroportal.pt · depts.washington.edu · counting-stuff.com · barlavento.pt