Nº 019
Pastéis de Santa Clara
Doçaria Conventual · Centro

Pastéis de Santa Clara

Também conhecido por: Pastel de Santa Clara · Meia-lua

A meia-lua de Coimbra: massa estaladiça e recheio de amêndoa e gema.

Origem
Coimbra; doçaria conventual tradicionalmente atribuída ao Convento de Santa Clara.
Região
Coimbra
Época
Todo o ano
Doçura
Riqueza
Dificuldade

Os Pastéis de Santa Clara são pequenas meias-luas de massa fina e estaladiça, feitas com farinha, manteiga e água fria, recheadas com um doce de amêndoa pelada e ralada ligado por gema de ovo. Ao contrário dos pastéis salgados que se fritam, estes vão ao forno até dourarem, pincelados com ovo e polvilhados de açúcar.

Pequenos, dourados e ligeiramente quebradiços, escondem no interior um coração macio e perfumado a amêndoa que contrasta com a casca crocante. São um dos símbolos da doçaria conventual de Coimbra, ao lado das arrufadas e dos pastéis de Tentúgal.

Pertencem à grande família da doçaria conventual da Beira Litoral, onde o saber das freiras transformou ovos, açúcar e amêndoa em obras-primas que sobreviveram à extinção dos conventos.

Ingredientes
  • Farinha
  • Manteiga
  • Água fria
  • Amêndoa pelada e ralada
  • Açúcar
  • Gemas de ovo
  • Ovo (para pincelar)
  • Açúcar em pó (para polvilhar)
Sabor & textura

A primeira dentada estala; depois cede para um recheio denso e húmido, doce sem ser enjoativo, com o sabor terroso e amanteigado da amêndoa amplificado pela gema. O açúcar por cima dá um toque seco e fino que equilibra a riqueza do interior.

Variações

O recheio mantém-se quase sempre fiel à amêndoa e gema, mas há casas que o tornam mais cremoso ou mais firme, e algumas reforçam o perfume com um toque de limão ou canela. A massa varia entre versões mais quebradiças, próximas de uma areia, e outras mais elásticas e finas. Fora de Coimbra, o mesmo doce surge por vezes em estrela ou coração, além da meia-lua.

Onde provar

Procuram-se nas pastelarias e confeitarias tradicionais de Coimbra, sobretudo na Baixa e junto à Universidade. Surgem também, ao lado de arrufadas e pastéis de Tentúgal, na Mostra de Doçaria Conventual e Regional de Coimbra, que costuma realizar-se em outubro. O verdadeiro reconhece-se pela meia-lua bem dourada, a casca fina e o recheio de amêndoa generoso.

Acompanha bem com

Pedem um café cheio ou uma bica curta, que corta a doçura da amêndoa. Para acompanhamento mais festivo, um cálice de vinho do Porto ou de moscatel realça as notas de amêndoa e gema.

História

Como tantos doces portugueses, os Pastéis de Santa Clara nasceram do engenho conventual. A sua origem é tradicionalmente atribuída ao Convento de Santa Clara, em Coimbra — o mosteiro fundado no final do século XIII e ligado à memória da Rainha Santa Isabel, que aí passou parte da vida e está sepultada na cidade. Os mosteiros femininos dispunham de açúcar, gemas em abundância e amêndoa, e foi dessa despensa que saíram alguns dos mais célebres doces conventuais da região.

Conta-se que, perante as dificuldades económicas das ordens religiosas no século XIX, as freiras passaram a vender estes doces aos estudantes da Universidade de Coimbra, e daí se espalharam pela cidade e pela região, tomando também outras formas além da meia-lua. Com a extinção das ordens religiosas em Portugal, muitas receitas saíram dos claustros para a pastelaria das cidades. O pastel atravessou essa fronteira e instalou-se nas confeitarias de Coimbra, onde continua a ser feito segundo o método antigo: massa de farinha e manteiga, recheio de amêndoa e gema, e a forma inconfundível de meia-lua.

O nome aparece também noutras terras com Convento de Santa Clara — como Vila do Conde, onde os pastéis são igualmente conhecidos por «meias-luas» —, sinal da rede de mosteiros clarissas que partilhou saberes e receitas.

Fontes: tradicional.dgadr.gov.pt · cozinhatradicional.com · coimbra.pt · tasteatlas.com