Pastéis de Lorvão
Também conhecido por: Pastéis do Lorvão · Doces de Lorvão
O doce de amêndoa e gema que as freiras de Lorvão ofereceram até a Wellington.
- Origem
- Mosteiro de Santa Maria de Lorvão · doçaria conventual celebrada desde as Invasões Francesas (1810)
- Região
- Lorvão
- Época
- Todo o ano
Os Pastéis de Lorvão são pequenos pastéis conventuais de massa densa e húmida, primos próximos da queijada, nascidos na cozinha do Mosteiro de Santa Maria de Lorvão, encostado à serra do Buçaco. Sob uma casca dourada e polvilhada de açúcar em pó esconde-se um recheio macio de amêndoa ralada e gema, perfumado com canela e raspa de casca de limão.
Apresentam-se individuais, do tamanho de uma queijada de mão, com o topo levemente craquelado pelo forno. A textura é o seu segredo: firme na casca, mas funda e quase cremosa por dentro, nunca seca. Comem-se à temperatura ambiente, ao fim da refeição ou a meio da tarde.
Tradicionalmente acondicionam-se em caixas de papel pregueado, à maneira antiga das pastelarias regionais, o que reforça a sua aura conventual e de prenda.
- Açúcar
- Miolo de amêndoa (pelada e ralada)
- Gemas de ovo
- Claras de ovo
- Farinha
- Manteiga
- Raspa de casca de limão
- Canela
- Açúcar em pó (para polvilhar)
Doce e amendoado, com o calor da canela e um toque cítrico da casca de limão a aligeirar a riqueza da gema. A casca é fina e tostada; o interior, fundo, húmido e macio, quase cremoso.
As proporções de amêndoa, gema e farinha variam de pastelaria para pastelaria, o que altera a densidade do miolo. Insere-se na mesma família dos doces conventuais de Coimbra e do Buçaco, partilhando ingredientes com queijadas e tigeladas da região.
Encontram-se nas pastelarias e estabelecimentos de Lorvão e da zona de Penacova, no concelho de Coimbra, frequentemente em caixas de papel pregueado. Uma visita ao próprio Mosteiro de Lorvão é o pretexto ideal para os provar à origem.
Pedem um café cheio ou uma bica, que corta o doce da gema. Ao fim da tarde, ficam bem com um chá; numa nota mais festiva, acompanham um vinho do Porto ou um moscatel.
A receita pertence à grande tradição da doçaria conventual de Coimbra e do vale do Mondego, onde a abundância de gemas e de amêndoa deu origem a dezenas de doces. No Mosteiro de Santa Maria de Lorvão — casa monástica de origem antiquíssima, ocupada por monjas cistercienses — as freiras aperfeiçoaram estes pastéis, que se tornaram afamados muito para lá das muralhas do convento.
A fama firmou-se durante a Guerra Peninsular: por ocasião das Invasões Francesas, em 1810, o general Wellington e os seus homens, hospedados na região, terão apreciado os doces das freiras de Lorvão. Com a extinção das ordens religiosas no século XIX, a receita passou para as gentes locais, que a guardaram e continuam a produzir, mantendo o doce vivo nas pastelarias da zona.
Fontes: tradicional.dgadr.gov.pt · tradicional.dgadr.gov.pt · viagens.sapo.pt · on-centro.pt · lifecooler.com