Palha de Abrantes
Um maço de palha dourada que esconde um coração de gema e amêndoa.
- Origem
- Origem conventual · Convento da Graça (Nossa Senhora da Graça), Abrantes
- Região
- Abrantes
- Época
- Todo o ano
A Palha de Abrantes é um pequeno doce conventual de cerca de quatro centímetros, apresentado em forma de ouriço ou de pequeno maço de palha. No interior guarda um recheio macio de gema de ovo trabalhada com amêndoa moída; por fora veste-se de fios de ovos enrolados e levemente queimados num forno bem quente, que lhe dão a cor de palha tostada e o nome.
Serve-se em caixinhas individuais de papel frisado, vendida à dúzia em caixas de cartão, como manda a tradição da doçaria abrantina. É um doce de bocado pequeno mas intenso, que se come de uma só vez, idealmente ao fim de uma refeição ou a acompanhar um café.
É considerada o símbolo gastronómico de Abrantes, exposta com orgulho nas montras das pastelarias da vila, no coração do Ribatejo, às portas do Alentejo.
- Gemas de ovo
- Açúcar
- Água
- Amêndoa moída
- Fios de ovos
- Raspa de limão
- Canela
Muito doce e profundamente rico, com a untuosidade da gema e o travo amendoado a sustentarem o recheio; por fora, os fios de ovos queimados trazem um toque seco e tostado que corta a doçura e dá um leve aroma a caramelo.
As proporções de gema, amêndoa e fios de ovos variam de pastelaria para pastelaria, havendo versões mais ou menos amendoadas e algumas perfumadas com raspa de limão ou um pau de canela na calda. O formato mantém-se fiel ao pequeno ouriço de fios dourados.
O sítio certo é Abrantes e as pastelarias da região do Médio Tejo, onde a Palha é vendida à dúzia em caixas de papel. Procure casas tradicionais da vila que a fazem há décadas; é também presença habitual nas feiras e mostras de doçaria conventual da zona.
Pede um café curto e forte para equilibrar a doçura, ou um cálice de moscatel ou vinho do Porto ao fim de uma refeição.
Como tantos doces portugueses, a Palha de Abrantes nasce dos conventos da vila, atribuindo-se a sua origem ao Convento da Graça (Nossa Senhora da Graça), da Ordem das Dominicanas, num tempo em que as gemas sobravam: as claras de ovo eram usadas para engomar e dar lustro à roupa, e os açúcares e amêndoas abundavam nas cozinhas conventuais. Conta-se que mulheres de Rio de Moinhos, lavadeiras da cidade, prestavam serviços às freiras e, ganhando-lhes a confiança, terão conseguido as receitas que depois saíram dos muros do convento.
O nome liga-se à própria geografia de Abrantes. Posto de comércio fluvial no Tejo, a vila era passagem obrigatória da palha que, vinda do Alentejo, seguia para as cavalariças de Lisboa — daí o ditado "se queres palha, vai a Abrantes". Os fios de ovos dourados e queimados evocam precisamente esses molhos de palha, e o doce tornou-se a marca da vila.
Fontes: tradicional.dgadr.gov.pt · turismo.cm-abrantes.pt · mediotejo.net · ncultura.pt