Nº 441 Palha de Abrantes
Doces de Ovos · Alentejo

Palha de Abrantes

Um maço de palha dourada que esconde um coração de gema e amêndoa.

Origem
Origem conventual · Convento da Graça (Nossa Senhora da Graça), Abrantes
Região
Abrantes
Época
Todo o ano
Doçura
Riqueza
Dificuldade

A Palha de Abrantes é um pequeno doce conventual de cerca de quatro centímetros, apresentado em forma de ouriço ou de pequeno maço de palha. No interior guarda um recheio macio de gema de ovo trabalhada com amêndoa moída; por fora veste-se de fios de ovos enrolados e levemente queimados num forno bem quente, que lhe dão a cor de palha tostada e o nome.

Serve-se em caixinhas individuais de papel frisado, vendida à dúzia em caixas de cartão, como manda a tradição da doçaria abrantina. É um doce de bocado pequeno mas intenso, que se come de uma só vez, idealmente ao fim de uma refeição ou a acompanhar um café.

É considerada o símbolo gastronómico de Abrantes, exposta com orgulho nas montras das pastelarias da vila, no coração do Ribatejo, às portas do Alentejo.

Ingredientes
  • Gemas de ovo
  • Açúcar
  • Água
  • Amêndoa moída
  • Fios de ovos
  • Raspa de limão
  • Canela
Sabor & textura

Muito doce e profundamente rico, com a untuosidade da gema e o travo amendoado a sustentarem o recheio; por fora, os fios de ovos queimados trazem um toque seco e tostado que corta a doçura e dá um leve aroma a caramelo.

Variações

As proporções de gema, amêndoa e fios de ovos variam de pastelaria para pastelaria, havendo versões mais ou menos amendoadas e algumas perfumadas com raspa de limão ou um pau de canela na calda. O formato mantém-se fiel ao pequeno ouriço de fios dourados.

Onde provar

O sítio certo é Abrantes e as pastelarias da região do Médio Tejo, onde a Palha é vendida à dúzia em caixas de papel. Procure casas tradicionais da vila que a fazem há décadas; é também presença habitual nas feiras e mostras de doçaria conventual da zona.

Acompanha bem com

Pede um café curto e forte para equilibrar a doçura, ou um cálice de moscatel ou vinho do Porto ao fim de uma refeição.

História

Como tantos doces portugueses, a Palha de Abrantes nasce dos conventos da vila, atribuindo-se a sua origem ao Convento da Graça (Nossa Senhora da Graça), da Ordem das Dominicanas, num tempo em que as gemas sobravam: as claras de ovo eram usadas para engomar e dar lustro à roupa, e os açúcares e amêndoas abundavam nas cozinhas conventuais. Conta-se que mulheres de Rio de Moinhos, lavadeiras da cidade, prestavam serviços às freiras e, ganhando-lhes a confiança, terão conseguido as receitas que depois saíram dos muros do convento.

O nome liga-se à própria geografia de Abrantes. Posto de comércio fluvial no Tejo, a vila era passagem obrigatória da palha que, vinda do Alentejo, seguia para as cavalariças de Lisboa — daí o ditado "se queres palha, vai a Abrantes". Os fios de ovos dourados e queimados evocam precisamente esses molhos de palha, e o doce tornou-se a marca da vila.

Fontes: tradicional.dgadr.gov.pt · turismo.cm-abrantes.pt · mediotejo.net · ncultura.pt