Morgado de Figo
Também conhecido por: Morgado de Figo e Amêndoa · Morgado algarvio
O figo e a amêndoa moldados em forma de queijo, escuros de cacau e sol algarvio.
- Origem
- Doçaria tradicional do Algarve · raízes populares de oitocentos, herança árabe e conventual
- Região
- Algarve
- Época
- Todo o ano · tradicionalmente um doce de inverno, pela longa conservação do figo seco
O Morgado de Figo é uma pasta firme e escura feita de figo seco e amêndoa torrados, açúcar e cacau, moldada à mão na forma redonda de um queijo — daí o engano frequente do nome. Mede cerca de dez centímetros de diâmetro, tem cor castanha quase negra e uma densidade compacta que se corta às fatias finas.
Ao contrário do Queijo de Figo, que é uma massa laminada em camadas e recheada, o morgado é uma pasta homogénea, ligada e maciça, perfumada de canela, erva-doce e raspa de limão. A superfície fica fosca, polvilhada de açúcar, e ao corte revela um interior uniforme onde os fragmentos de amêndoa pontuam a massa de figo.
Serve-se em lascas pequenas, ao fim de uma refeição ou a meio da tarde, e guarda-se durante meses — virtude antiga de uma terra onde o figo se secava ao sol para durar o inverno inteiro.
- Figo seco do Algarve
- Amêndoa torrada
- Açúcar
- Cacau em pó
- Canela
- Erva-doce (funcho)
- Raspa de limão
- Açúcar em pó para polvilhar
Intensamente doce e profundo, com o figo concentrado a dominar, a amêndoa torrada a dar fundo e o cacau a deixar um travo escuro, quase amargo. A textura é densa e ligeiramente granulosa, que se desfaz na boca em vez de mastigar.
Há quem reforce a massa com alfarroba ou aguardente de medronho, e quem prescinda do cacau para um morgado mais claro. A forma varia muito — do clássico queijo a figuras de peixe, barco ou viola — e o tamanho vai do pequeno disco individual à roda de mais de um quilo.
Encontra-se nas doçarias e mercados tradicionais de todo o Algarve, sobretudo em Silves e na zona serrana do figo e da amêndoa, e em cabazes gourmet da região. Procure produtores que sigam a receita tradicional reconhecida pela DGADR.
Em fatias finas com um cálice de aguardente de medronho, o destilado serrano do Algarve, ou um copo de vinho do Porto ou moscatel.
A doçaria algarvia deve muito à herança árabe e à influência conventual do século XVIII, que ensinou a casar o açúcar com o que a terra dava em abundância: o figo, a amêndoa e a alfarroba. O morgado nasce desse encontro, de origem claramente popular, justificada pela tradição secular do cultivo do figo no Algarve. Referências oitocentistas, como as de Silva Lopes, mencionam já "diversas figuras realçadas com figo, pinhão e amêndoa", e Thomaz Cabreira aponta-lhe igualmente raiz popular.
Reconhecido pela DGADR como Produto Tradicional Português, o Morgado de Figo distingue-se do Queijo de Figo, com o qual é muitas vezes confundido: ali uma pasta única e moldada, aqui uma massa em camadas. Embora a forma de queijo seja a mais clássica, a imaginação das doceiras moldou-o também em barco, peixe, viola, galinha e livro.
Fontes: tradicional.dgadr.gov.pt · tradicional.dgadr.gov.pt · algarvetastingbasket.com · catalogoagrotur.pt