Lagartos da Páscoa de Castelo de Vide
Também conhecido por: Folar Lagarto · Lagarto da Páscoa · Folar de Castelo de Vide · Folar de Portalegre
O folar figurativo que leva um ovo na boca e a Páscoa aos afilhados.
- Origem
- Castelo de Vide · Alto Alentejo
- Região
- Castelo de Vide · Alto Alentejo
- Época
- Páscoa, especialmente a Semana Santa
Os Lagartos da Páscoa de Castelo de Vide são folares doces moldados à mão como répteis. A massa firme e enriquecida leva farinha, ovos, leite, açúcar, manteiga ou banha, fermento, canela e erva-doce. Cada lagarto recebe olhos de feijão-frade, amêndoas confeitadas no dorso, uma fita colorida ao pescoço e um ovo cozido — tradicionalmente tingido de castanho com cascas de cebola — preso na boca.
Pincelado com ovo antes do forno e com uma calda leve depois de cozido, o folar fica brilhante, aromático e suficientemente compacto para conservar a escultura. A mesma massa também dá folares redondos, pombas, borregos, meninas e meninos, mas o lagarto é a figura mais reconhecível de Castelo de Vide.
- farinha de trigo
- ovos
- leite
- açúcar
- manteiga ou banha
- fermento de padeiro
- canela
- erva-doce
- ovo cozido
- amêndoas confeitadas
- feijão-frade
Pão doce firme e rico, perfumado por canela e erva-doce, com uma casca brilhante e amêndoas crocantes.
Além do lagarto, a massa assume formas redondas, duplos corações, pombas, pintos, borregos, bonecas, meninas ou meninos. O número de ovos e as decorações mudavam conforme o destinatário e a generosidade do padrinho.
Em padarias e casas de doces de Castelo de Vide na Semana Santa; a tradição também aparece noutros pontos do distrito de Portalegre, como Marvão, Alegrete, Monforte e Barbacena.
Café, chá ou um licor do Alto Alentejo; à mesa pascal, acompanha amêndoas e outros bolos fintos.
Os folares figurativos pertencem ao antigo ciclo de dádivas da Páscoa. Em Castelo de Vide, madrinhas e padrinhos ofereciam os lagartos aos afilhados na Quinta-Feira Santa; também podiam circular entre compadres e comadres. O ovo simboliza fertilidade, abundância e renovação depois do jejum da Quaresma, enquanto a forma divertida dirigia o presente às crianças.
O levantamento etnográfico de Ernesto Veiga de Oliveira regista em Castelo de Vide tanto o grande lagarto com coleira de seda encarnada como o folar em duplo coração, coberto de ovos e motivos de massa. Estes bolos zoomórficos foram comuns em partes do Alentejo, mas tornaram-se raros; Castelo de Vide permanece um dos lugares onde a tradição continua visível nas fornadas e celebrações pascais.
Fontes: books.openedition.org · memoriamedia.net · noticiasdecastelodevide.blogspot.com · aosabordeportugal.pt · portugal-aptece.com · cm-portalegre.pt