Ganchas de São Brás
Também conhecido por: Ganchas · Gancha de S. Brás · Gancha do santo
O báculo do santo em açúcar puxado, oferta de namoro no dia de São Brás.
- Origem
- Tradição secular · Festa de São Brás, Vila Real
- Região
- Vila Real
- Época
- Festa de São Brás (2 e 3 de Fevereiro)
A gancha é um rebuçado duro de açúcar caramelizado, puxado e dobrado à mão até ganhar a forma do báculo de São Brás — daí o nome de bengala ou cajado que o povo lhe dá. A parte de baixo costuma vir enrolada em papel colorido, que serve de pega e protege os dedos do açúcar pegajoso, enquanto a curva fica nua, lustrosa e translúcida, para se chupar devagar.
Nasce de uma calda de açúcar levada a ponto alto, por vezes perfumada com limão ou ervas, que à medida que arrefece se torna maleável e se trabalha em fios e laços antes de endurecer. É um doce de feira, vendido em tabuleiros improvisados pelas ruas da Vila Velha, junto à capela de São Brás.
Mais do que guloseima, é uma oferta: no dia 3 de Fevereiro, o homem dá a gancha à mulher que corteja, retribuindo o pito que ela lhe ofereceu no dia de Santa Luzia, a 13 de Dezembro.
- Açúcar
- Água
- Sumo de limão
- Ervas aromáticas (opcional)
- Corante alimentar (opcional)
Intensamente doce e estaladiço, com a transparência vítrea do caramelo duro; chupa-se devagar até ficar liso e fino, com um fundo cítrico de limão quando o levam.
Há ganchas lisas, douradas e translúcidas, e outras tingidas e enroladas em papéis garridos; o tamanho e a curva variam conforme a mão de quem as puxa, e algumas levam aroma de limão ou ervas.
Encontram-se quase só em Vila Real, nas bancas de rua da Vila Velha junto à capela de São Brás, em redor de 2 e 3 de Fevereiro; algumas padarias e confeitarias locais fazem-nas nessa época do ano.
Pede pouco mais do que ela própria, mas combina bem com um café forte ou um cálice de vinho do Porto que lhe corte a doçura.
A gancha está ligada à devoção a São Brás, bispo e mártir invocado contra os males da garganta. Diz a lenda que o santo terá salvado uma criança engasgada com uma espinha, e o báculo episcopal — o cajado curvo do bispo — passou a ser o símbolo que o doce reproduz. A capela de São Brás, na Vila Velha de Vila Real, está classificada como Monumento Nacional desde 1910, e é em redor dela que a tradição se mantém viva.
A gancha forma par com o pito de Santa Luzia, num ritual de namoro de raízes seculares em Vila Real: elas oferecem o pito a 13 de Dezembro, eles retribuem a gancha a 2 e 3 de Fevereiro. Durante gerações, o doce foi feito e vendido por mulheres de uma família local, as chamadas "Marianas", que armavam banca junto às igrejas do centro histórico. O doce está documentado na obra "A Doçaria Portuguesa (Norte)".
Fontes: publico.pt · noponto.pt · cm-vilareal.pt · noticiasdevilareal.sapo.pt · viagens.sapo.pt