Nº 165 Ganchas de São Brás
Festivos & Sazonais · Trás-os-Montes

Ganchas de São Brás

Também conhecido por: Ganchas · Gancha de S. Brás · Gancha do santo

O báculo do santo em açúcar puxado, oferta de namoro no dia de São Brás.

Origem
Tradição secular · Festa de São Brás, Vila Real
Região
Vila Real
Época
Festa de São Brás (2 e 3 de Fevereiro)
Doçura
Riqueza
Dificuldade

A gancha é um rebuçado duro de açúcar caramelizado, puxado e dobrado à mão até ganhar a forma do báculo de São Brás — daí o nome de bengala ou cajado que o povo lhe dá. A parte de baixo costuma vir enrolada em papel colorido, que serve de pega e protege os dedos do açúcar pegajoso, enquanto a curva fica nua, lustrosa e translúcida, para se chupar devagar.

Nasce de uma calda de açúcar levada a ponto alto, por vezes perfumada com limão ou ervas, que à medida que arrefece se torna maleável e se trabalha em fios e laços antes de endurecer. É um doce de feira, vendido em tabuleiros improvisados pelas ruas da Vila Velha, junto à capela de São Brás.

Mais do que guloseima, é uma oferta: no dia 3 de Fevereiro, o homem dá a gancha à mulher que corteja, retribuindo o pito que ela lhe ofereceu no dia de Santa Luzia, a 13 de Dezembro.

Ingredientes
  • Açúcar
  • Água
  • Sumo de limão
  • Ervas aromáticas (opcional)
  • Corante alimentar (opcional)
Sabor & textura

Intensamente doce e estaladiço, com a transparência vítrea do caramelo duro; chupa-se devagar até ficar liso e fino, com um fundo cítrico de limão quando o levam.

Variações

Há ganchas lisas, douradas e translúcidas, e outras tingidas e enroladas em papéis garridos; o tamanho e a curva variam conforme a mão de quem as puxa, e algumas levam aroma de limão ou ervas.

Onde provar

Encontram-se quase só em Vila Real, nas bancas de rua da Vila Velha junto à capela de São Brás, em redor de 2 e 3 de Fevereiro; algumas padarias e confeitarias locais fazem-nas nessa época do ano.

Acompanha bem com

Pede pouco mais do que ela própria, mas combina bem com um café forte ou um cálice de vinho do Porto que lhe corte a doçura.

História

A gancha está ligada à devoção a São Brás, bispo e mártir invocado contra os males da garganta. Diz a lenda que o santo terá salvado uma criança engasgada com uma espinha, e o báculo episcopal — o cajado curvo do bispo — passou a ser o símbolo que o doce reproduz. A capela de São Brás, na Vila Velha de Vila Real, está classificada como Monumento Nacional desde 1910, e é em redor dela que a tradição se mantém viva.

A gancha forma par com o pito de Santa Luzia, num ritual de namoro de raízes seculares em Vila Real: elas oferecem o pito a 13 de Dezembro, eles retribuem a gancha a 2 e 3 de Fevereiro. Durante gerações, o doce foi feito e vendido por mulheres de uma família local, as chamadas "Marianas", que armavam banca junto às igrejas do centro histórico. O doce está documentado na obra "A Doçaria Portuguesa (Norte)".

Fontes: publico.pt · noponto.pt · cm-vilareal.pt · noticiasdevilareal.sapo.pt · viagens.sapo.pt