Folhados de Tavira
Também conhecido por: Bolos Folhados
Tiras de folhado enroladas e banhadas em ponto de calda, um doce conventual que Tavira nunca deixou perder.
- Origem
- Século XVI · convento de freiras do Largo da Atalaia, Tavira
- Região
- Tavira
- Época
- Todo o ano
Os Folhados de Tavira são bolos arredondados feitos de massa folhada cortada em tiras e enrolada em torno de um pau, formando um pequeno cilindro de cerca de dez centímetros de diâmetro e sete a oito de altura. Depois de irem ao forno até ficarem dourados e estaladiços, são mergulhados numa calda de açúcar levada ao ponto de pérola, que lhes dá o brilho e a doçura características.
À vista, são uma espiral de folhas finíssimas, douradas nas pontas e envidraçadas pela calda. À boca, abrem-se em estilhaços crocantes que se desfazem e voltam a colar pelo açúcar — secos por dentro, lustrosos por fora.
Tradicionalmente embrulhados em papel celofane, comem-se ao longo do dia, com um café ou um chá, tal como há gerações se compravam à unidade no balcão.
- Farinha
- Margarina
- Banha
- Ovos
- Fermento de padeiro
- Leite
- Açúcar
- Água
Estaladiço e leve, com a massa folhada a esfarelar-se em camadas finas; a calda no ponto de pérola envolve tudo numa doçura intensa e luminosa, sem grande peso de creme ou recheio.
É um doce de receita muito fixa, ligada a um único produtor histórico, pelo que conhece poucas variações; algumas versões caseiras e de pastelaria ajustam a calda ou a proporção de gorduras, mas o formato enrolado e o banho de açúcar mantêm-se.
Encontram-se sobretudo na Pastelaria Gardy, em Faro, onde a família Dias os continua a fazer diariamente; em Tavira e no resto do Algarve aparecem em pastelarias e feiras de doçaria tradicional.
Pedem um café cheio ou uma bica para cortar a doçura; um chá simples ou um copo de vinho do Algarve fazem também boa companhia.
Segundo a tradição oral, a receita terá nascido num convento de freiras instalado no Largo da Atalaia, em Tavira, fundado em 1509 e extinto em 1862 — inscrevendo os Folhados na longa linhagem da doçaria conventual portuguesa, feita de ovos, açúcar e massas trabalhadas com paciência.
Durante muito tempo só se vendiam em Tavira, no Café Cunha, aberto no início do século XX e hoje desaparecido; era a própria dona quem os fazia, e foram os clientes habituais que lhes deram o nome de "Folhados de Tavira", quando antes se chamavam apenas "Bolos Folhados". A receita chegou aos nossos dias graças à família Dias, que a manteve e que hoje continua a produzi-los na Pastelaria Gardy, em Faro.
Fontes: tradicional.dgadr.gov.pt · tradicional.dgadr.gov.pt · viagens.sapo.pt