Nº 484 Folhado de Loulé
Folhados · Algarve

Folhado de Loulé

Também conhecido por: Folhados de Loulé

Quem come um folhado de Loulé fica feliz para o resto da semana.

Origem
Século XX · Loulé, Algarve
Região
Loulé
Época
Todo o ano
Doçura
Riqueza
Dificuldade

O folhado de Loulé é um pequeno embrulho de massa folhada, dourado e estaladiço, recheado com um creme de ovos perfumado a limão e baunilha e polvilhado com açúcar. Dobrado ao meio sobre o recheio, sai do forno leve e oco, com as camadas de massa a soltarem-se em lascas finíssimas mal lhe pega.

É um doce despretensioso, de tamanho de lanche, que se vê empilhado nas vitrinas dos cafés da vila. Não é demasiado doce: o creme é macio e cítrico, contrastando com a massa quente e crocante.

Serve-se, por tradição, ainda morno, acompanhado de uma bica ao balcão — a maneira como os louletanos o comem desde há gerações.

Ingredientes
  • Massa folhada
  • Ovos
  • Leite
  • Açúcar
  • Açúcar baunilhado
  • Amido de milho (maizena)
  • Raspa de limão
  • Açúcar para polvilhar
Sabor & textura

Massa muito folhada, leve e estaladiça que estala ao primeiro trinco, envolvendo um creme de ovos sedoso, pouco doce, com notas frescas de limão e baunilha.

Variações

Há versões em miniatura, servidas por exemplo no histórico Café Calcinha, e formatos maiores para partilhar. As proporções do creme e o ponto de açúcar variam de pastelaria para pastelaria.

Onde provar

A pastelaria Loulé Doce é a referência no fabrico do folhado e abastece vários cafés da vila; também se encontra no Café Calcinha e em festividades como o Carnaval e o Festival MED.

Acompanha bem com

Uma bica ou um café com leite, à maneira de Loulé, com o folhado ainda morno.

História

A história do folhado começa nas primeiras décadas do século XX, com Maria Pires, uma criada de servir que terá aprendido a trabalhar a massa folhada na Figueira da Foz. De regresso a Loulé, começou a confecioná-lo, e mais tarde, sem emprego, juntou-se às irmãs para produzir os folhados durante a noite, cozê-los no forno comunitário e vendê-los de tarde aos cafés da vila, onde eram comidos quentes com café.

Com a morte das criadoras, a tradição quase se perdeu. Foi a pastelaria Loulé Doce, fundada por Fernando Santos nos anos 1980 e hoje gerida pela filha Andreia, que recuperou a receita e lhe fixou o nome da terra. O folhado ganhou ainda nova vida com iniciativas culturais da câmara — como o Festival MED — que o devolveram à memória coletiva da vila. Em 2019 foi um dos candidatos algarvios ao concurso 7 Maravilhas Doces de Portugal.

Fontes: gastroportugal.com · farmaciasportuguesas.pt · regiao-sul.pt · e-cultura.pt